
- poesia tu me amas?
- aferventa minhas palavras
- poesia tu me tramas?
- alimenta minhas palavras
- poesia tu me dramas?
- adormenta minhas palavras
(Augusto Cassas, Salmo Apascentador, Deus Mix, Imago)
- aferventa minhas palavras
- poesia tu me tramas?
- alimenta minhas palavras
- poesia tu me dramas?
- adormenta minhas palavras
(Augusto Cassas, Salmo Apascentador, Deus Mix, Imago)
De repente olho pro piso sintecado, procurando tornar meu olhar disforme, para o germinar do poema. E quando percebo já estou ruminando versos. As linhas marrons da madeira preenchem o chão do quarto. Madeira morta e tão útil. Que graça há em ser útil depois de morto? Ah! Há sim! Órgãos doados, pulsando, vivos, num outro corpo. E agora percebo que a poesia entrou no hospital, lado a lado com a morte.
Tudo serve para a poesia; nada serve para a poesia. Os chinelos no canto do quarto, velhos, sujos, à espera dos meus pés, me inspiram. Como o amigo cão, parecem implorar por um passeio. Se pudessem, andariam sozinhos. Talvez seguissem por outros caminhos, veredas que eu não teria jamais coragem de percorrer. No entanto, submissos, jazem imóveis, à minha espera, no canto. O silêncio dos meus calçados toca profundamente minha alma.
Tudo cabe numa poesia; nada cabe na poesia. Esse quarto é tão grande, tão grande, e os papéis o tomam, o invadem, numa desordem que retrata muito bem meu cotidiano e reflete meu interior. Onde está aquela anotação tão importante que fiz a pouco? Jamais encontrarei o endereço daquele sebo anotado num pedaço pequeno de papel. Janelas se abrem e os papéis ficam eufóricos, cheios de malícia. Querem flutuar do oitavo andar e me deixar envergonhado e aflito.
Qual a matéria da poesia mesmo? O tudo e o nada; o tudo no nada.











Um paraíso formado de dunas branquinhas, floresta de mangue que é berçário para bandos e mais bandos de uma ave vermelha chamada guará, água por todos os lados, vinda dos rios e do mar, 80 casinhas de palha e madeira. Esse lugar existe e fica no litoral oeste do Maranhão. É um arquipélago com cerca de 30 ilhas, habitadas por pescadores. A ilha mais famosa chama-se Lençóis (não é os Lençóis Maranhenses, ok?). Os 300 habitantes ( a maioria crianças) vivem do extrativismo, da pesca...
O que eles têm de maior riqueza são as lendas. Pois juram que o Rei Dom Sebastião, que desapareceu na África no século XVI, está encantado lá, com todo o seu reino. O rei surge na forma de um touro negro. Um dia, tudo vai ao fundo e o Reino aparecerá. Sinistro isso, não é? Simplesmente magnífico. Eu tenho viajado constantemente para lá, pois minha pesquisa de tese é sobre o imaginário dessa ilha.
