Meus cartões, feitos no iPad ou a partir de papeis colados.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
crônica sobre autor desconhecido
odeio autor desconhecido. odeio mesmo. não aquele
desconhecido porque a mídia não o viu, ou não quer vê-lo. não é esse
desconhecido que é objeto da minha crônica ferina e ferida. odeio o desconhecido
que tenta manter-se desconhecido a qualquer custo. que não se compromete com o
que escreve, seja poesia barata, seja crônica infeliz de autoajuda, seja o
diabo. odeio esse autor que, para ter um texto lido pela grande massa incapaz
de pesquisar origens, usa criminosamente o nome de outro autor famoso. e o
texto ganha dimensões, se agiganta, se desdobra e passa a frequentar, inclusive
escolas, num desserviço ao pensamento reflexivo.
odeio esse imbecil que não se apresenta com autoridade. que promove a deturpação da literatura, ainda que eu não concorde com os termos “alta” e “baixa” literatura. estou falando de valores ou contra-valores disseminados num ingênuo texto anônimo que recebe a patente de autores consagrados. Infelizmente poucos leitores têm a competência para perceber que há alho de muito errado no estilo desses textos, não combinando absolutamente com sua autoria. de repente, vejo uma Clarice Lispector dando conselhos chulos para os amantes, apresentando-se como uma alma caridosa, religiosa até, coisa que nada tem a ver com a grandeza dela. do mesmo modo, vejo Shakespeare falando como ser feliz, como amar e transcender, como ser piegas. ainda vejo um Drummond tão meloso, dando conselhos moralizantes para a felicidade geral da nação neoleitora (danação). vejo Bob Marley falando de vida como se fora um adolescente. vejo, igualmente, um Mário Quintana quase como um pregador das verdades celestes dizendo o que devemos ou não fazer para ganhar a vida eterna. (para continuar lendo, clique no link seguinte)
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Presentes quase impossíveis
- Mãe, se eu te pedir uma coisa, cê me dá?
- Claro, filho, qualquer coisa.
- Qualquer TUDO mesmo?
- Bem...qualquer tudo não é coisa demais, querido?
- Então não pode me dar qualquer coisa...
- Posso... qualquer coisa que esteja ao alcance de uma mãe.
- Tipo assim... cê não pode me dar a lua...
- Posso sim, olha pela janela, a lua tá lá longe, mas eu vejo ela dentro dos seus olhos. Então já é sua.
- Só minha?
- Só sua. Esta com você já. Agora voce é meu menino dos olhos de lua.
- Mesmo, mãe?
- Mesmo mesmo. E tem mais, são duas luas dentro de você. Uma para cada olho.
- Uau! E se eu te pedir mais uma coisa, cê me dá?
- Pede, filho!
- O mar... se eu te pedir o mar...
- Dou sim, espera aí que a mãe já volta com ele - vai até a cozinha, pega uma pitada de sal joga num copo de água e volta para o quarto trazendo também uma concha marinha.
- Pronto, prove está água. Se você sentir o gosto do sal é porque o mar cabe dentro de você.
- Senti, mãe. Mas não vi o mar dentro de mim.
- Todo sal é água pronta para ser mar outra vez, amor. Agora pegue essa concha e coloque no ouvido...
- Tou ouvindo as ondas, mãe!
- Então significa que o mar está dentro de você.
- Bacana.Sou um menino-mar.
- E agora é hora de dormir. Amanhã te dou o mundo, se você quiser.
- Não quero mais nada, mãe... Só uma coisa.
- O quê?
- Um beijo da melhor mãe do mundo.
A mãe beijou o filho com ternura, beijo quente com sabor de super-mãe, apagou a luz e o menino dormiu.
- Claro, filho, qualquer coisa.
- Qualquer TUDO mesmo?
- Bem...qualquer tudo não é coisa demais, querido?
- Então não pode me dar qualquer coisa...
- Posso... qualquer coisa que esteja ao alcance de uma mãe.
- Tipo assim... cê não pode me dar a lua...
- Posso sim, olha pela janela, a lua tá lá longe, mas eu vejo ela dentro dos seus olhos. Então já é sua.
- Só minha?
- Só sua. Esta com você já. Agora voce é meu menino dos olhos de lua.
- Mesmo, mãe?
- Mesmo mesmo. E tem mais, são duas luas dentro de você. Uma para cada olho.
- Uau! E se eu te pedir mais uma coisa, cê me dá?
- Pede, filho!
- O mar... se eu te pedir o mar...
- Dou sim, espera aí que a mãe já volta com ele - vai até a cozinha, pega uma pitada de sal joga num copo de água e volta para o quarto trazendo também uma concha marinha.
- Pronto, prove está água. Se você sentir o gosto do sal é porque o mar cabe dentro de você.
- Senti, mãe. Mas não vi o mar dentro de mim.
- Todo sal é água pronta para ser mar outra vez, amor. Agora pegue essa concha e coloque no ouvido...
- Tou ouvindo as ondas, mãe!
- Então significa que o mar está dentro de você.
- Bacana.Sou um menino-mar.
- E agora é hora de dormir. Amanhã te dou o mundo, se você quiser.
- Não quero mais nada, mãe... Só uma coisa.
- O quê?
- Um beijo da melhor mãe do mundo.
A mãe beijou o filho com ternura, beijo quente com sabor de super-mãe, apagou a luz e o menino dormiu.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
gaiola branca
O que faço com essa página em branco? Me diz. O que faço com o nada? Quer, por favor, me dizer? O que faço com o que inexiste e é todo grande aqui, neste espaço, me encarando sem olho, vociferando contra mim sem boca? O que faço com a não-matéria que, por não existir, deveria ocupar espaço nenhum, e aqui me cerca? Esse branco de página, qual branco da vida, é lume crepitando e quer me queimar. Se se queimasse sozinho, eu poderia tomar um resto de carvão para tentar o desenho, rabisco, mais fácil do que palavrar. Esses monstros não suportam páginas em branco. Gaiolas brancas. Eles nunca terão a mansidão porque habitam a terra do... não sei que terra habitam essas pestes. Então me calo e peço que te cales. Te envio a gaiola vazia, a página em branco, para que tu leias o nada que é meu tudo. É o melhor que posso fazer.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
vento
Porque tudo é trânsito e passagem.
Não devo me apegar a nada que não seja pés e asas e sonho. E o que não se vê tem o peso brutal de toneladas. O que não visto, que nos rodeia, o oxigênio incolor porque tem todas as cores e cheiros e sabores reunidos na essência que pura doação.
Se assim não fosse , se o visível, já queríamos prendê-lo, dividi-lo em pedaços, compartimentá-lo igual latas de conserva das prateleiras dos supermercados.
Mas tudo não vai ser mais. Tudo será o não-ser e é para isso que caminhamos, todos, bichos, homens, plantas, pedras. Escuto o barulho do vento. Sinto seu sopro no rosto. Escuto e sinto, mas não o abraço enquanto sigo. Ele é que me abraça.
Então, como posso não perceber que esse abraço é que me mantém?
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
O É
O que foi, não é. O que está, não é. O que virá, (ainda) não é. O que é a categoria do "é"? Que permanência faz "é" imobilizar o tempo e abalar as estruturas do espaço?
O é não é jamais. Ele só é enquanto promessa, por isso mesmo, insuportável areia fugidia; ruidosa ventania que não se deixa tocar e devasta a todos; água que só se solidifica para camuflar seu estado transitório.
O que foi, não é, porque nunca foi.
O é não é jamais. Ele só é enquanto promessa, por isso mesmo, insuportável areia fugidia; ruidosa ventania que não se deixa tocar e devasta a todos; água que só se solidifica para camuflar seu estado transitório.
O que foi, não é, porque nunca foi.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Melhor do que escrever e publicar, é ver as leituras e releituras do nosso livro. Aqui um cartaz feito por Jackson, 7a série, aluno da professora Eliane, de Santa Catarina. A história de Dom Sebastião indo longe. Axé! Parabéns à professora que estimula a leitura dos seus alunos com essa atividade de confecção de cartazes. Veja no blog dela.
Ilhas cariocas
Início do ano. Que a beleza do Rio contineu nos revigorando, dando-nos conforto, enchendo-nos de luz, cor e formas.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
O primeiro natal
O Menino-Deus, tão indefeso ali na manjedoura, ri para o mundo e aponta com seu dedinho para a estrela. Riso de criança celeste, dedo de criança curiosa apontando luz. As ovelhas trazem lã para Maria tecer uma fralda quentinha. O burro bafeja a palha para fazer calor. Uma família de pastores desce a montanha e traz comida para o casal faminto: pão, leite e mel. O cachorrinho-pastor pula aos pés da criança divina e brinca com seu próprio rabo. A criança divina ri. José e Maria riem. Os pastores riem. O primeiro natal acontece entre luzes, preces e risos.
domingo, 18 de dezembro de 2011
nuvens do advento
"Que as nuvens se abram e chova a justiça. E o orvalho faça nascer a flor." (Isaías)
É assim, um céu grávido de nuvens escuras, que os homens esperamos o desabar do novo sobre nossas cabeças. O novo seja vento a limpar a sujeira do caminho, seja água germinando o sêmen da terra, seja planta perfurando o lodo e se projetando para a luz. Que essas nuvens, que eclipsam o sol, deixando apenas pontos dourados perfurarem sua densa textura, nos presenteiem com um novo tempo, onde a justiça e a igualdade sejam nosso alimento; o cordeiro e o lobo sejam amigos e pastem juntos, como sonhou o profeta.
sábado, 17 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Momento
domingo, 4 de dezembro de 2011
O vou
Quando as palavras vão embora, quando o vento leva a chuva refrescante, quando a noite esconde o sol, quando as nuvens eclipsam a lua, quando as montanhas escondem o horizonte, quando o mar engole o barco, quando o silêncio leva embora os pensamentos...
É aí a hora de ver diferente, de enxergar o profundo. É nesse instante que sondamos outras nuances e os rios se apresentam como caminho, e o caminho de terra batida nos diz muitas coisas. Que o perigo é toda parte, enquanto respirarmos, o perigo grande existe, o perigo da existência.
Mas é ele, o perigo grande, que nos projeta ao vou. O vou é muito mais que o voo. O vou não tem ambiência, não tem história, não tem sequer cara e corpo.
Ele é o imenso desejo.
É aí a hora de ver diferente, de enxergar o profundo. É nesse instante que sondamos outras nuances e os rios se apresentam como caminho, e o caminho de terra batida nos diz muitas coisas. Que o perigo é toda parte, enquanto respirarmos, o perigo grande existe, o perigo da existência.
Mas é ele, o perigo grande, que nos projeta ao vou. O vou é muito mais que o voo. O vou não tem ambiência, não tem história, não tem sequer cara e corpo.
Ele é o imenso desejo.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
notas sobre o "se"
O que você faria?
E se as preces todas fossem atendidas? E se as águas liberassem passagem para o livre trânsito e os peixes conduzissem os cativos? E se acordássemos com as as asas que sempre sonhamos ter?
O que faríamos, seres alados?
E se as potestades viessem conviver conosco, coroando-nos de certezas? E se as perguntas todas fossem respondidas e nenhuma dúvida restasse? E os homens acordassem e descobrissem que agora falam uma só língua?
É preciso partir para que o "se" deixe de ser possibilidade e vire o inapreensível às avessas. Se transpuséssemos a barreira do "se", aonde chegaríamos com todas as nossas dúvidas?
Não sei de nada, mas sinto que o "se" nos salva de nós mesmos.
E se as preces todas fossem atendidas? E se as águas liberassem passagem para o livre trânsito e os peixes conduzissem os cativos? E se acordássemos com as as asas que sempre sonhamos ter?
O que faríamos, seres alados?
E se as potestades viessem conviver conosco, coroando-nos de certezas? E se as perguntas todas fossem respondidas e nenhuma dúvida restasse? E os homens acordassem e descobrissem que agora falam uma só língua?
É preciso partir para que o "se" deixe de ser possibilidade e vire o inapreensível às avessas. Se transpuséssemos a barreira do "se", aonde chegaríamos com todas as nossas dúvidas?
Não sei de nada, mas sinto que o "se" nos salva de nós mesmos.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
sonho alado
Por entre os arbustos, escondido nas ramagens, o pássaro azul sonha o mundo, sonha o vento, sonha alturas, sonha asas contornadas com o dourado do sol.
No pouso breve de uma noite, um ser azul quer tocar o firmamento e virar uma super-nova.
No pouso breve de uma noite, um ser azul quer tocar o firmamento e virar uma super-nova.
sábado, 15 de outubro de 2011
davi admira a criação
"Agora eu era o herói".
Amanhã eu fui outro. Ontem eu vou ser mais corajoso.
O tempo não me pega mais. Juro por tudo quanto é menos sagrado que ele não me pega mais.
Agora eu fui o que nunca serei. E serei o que nunca vai ser.
Mas prometo, por tudo o que se move, promessa no duro mesmo, com mãos postas e tudo, feito criança diante do seu grande deus, prometo que o tempo não me ilude com suas promessas.
O que quero é não ser. Abandonar-me daquelas vontades que só me fazem ser pequeno. Abandonar-me do desejo de ser algo, de estar em algum lugar, de ver o que não compete a mim.
Se minhas limitações forem amáveis, e meu ego não se indispor, serei mais feliz como insignificante criatura na vastidão do universo.
Amanhã eu fui outro. Ontem eu vou ser mais corajoso.
O tempo não me pega mais. Juro por tudo quanto é menos sagrado que ele não me pega mais.
Agora eu fui o que nunca serei. E serei o que nunca vai ser.
Mas prometo, por tudo o que se move, promessa no duro mesmo, com mãos postas e tudo, feito criança diante do seu grande deus, prometo que o tempo não me ilude com suas promessas.
O que quero é não ser. Abandonar-me daquelas vontades que só me fazem ser pequeno. Abandonar-me do desejo de ser algo, de estar em algum lugar, de ver o que não compete a mim.
Se minhas limitações forem amáveis, e meu ego não se indispor, serei mais feliz como insignificante criatura na vastidão do universo.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
![]() |
| Para cima, pequenos gansos, colagem do autor |
Hoje me deu uma vontade de curubijar ( ou será corubijar?) a vida de outro jeito. E a palavra que veio foi essa aí, da minha infância. Eu sempre fui um menino muito do curubijento. O que é do homem, o bicho não come: só outro homem. Nadar, nadar e morrer no seco é coisa de nadador estúpido. Quanto mais alto, menor a chance de escapar com vida. Porque dentro de mim mora um monstro, é que não dou por conta de mim. Nem peço perdão pelas coisas que não fiz. Nada.
Dia estranhamente suspenso. Sabe quando você acorda e sente que teu espírito está longe do corpo? Sou eu hoje. Definitivamente não estou. E nem adianta insistir. Suspensão total. Não há bondade nem maldade nisso, só a supensão infinita. E isso não é nada importante.
sobre asas e sonhos
Uma ventania rugiu na minha janela durante a madrugada e, com mãos cíclicas quase quebrou a vidraça. Uivos lancinantes ecoavam amedrontando as árvores. As estrelas sumiram num instante sob um toldo cinzento. Acordei todo nublado.
Minha casa anda tomada por seres alados. Há muito tempo é assim. Eles vêm não sei de onde, entram pela varanda e voam labirinticamente pelos cômodos. Às vezes, pousam nas frisas da janela e ficam ali, observando o que os humanos fazemos. Sinto que eles nos olham com uma certa piedade e admiração. Piedade porque, grandes que somos, nos tornamos pequenos na ausência de asas. Fiquem aí, camaradinhas, e me emprestem suas asas para o meu sonho.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Projeto Lendas
Meus alunos da EJA do São Vicente de Paulo (Cosme Velho), contaram lendas que ouviram dos pais, escreveram os textos, montaram cenas, gravaram a voz e eu fiz a edição. Que tal?
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
CORVO/URUBU: O encontro
Um corvo londrino nasce na boemia, vive como um dândi, declamando poesia e tocando seu violino. Seu maior desejo é ser reconhecido como poeta.
Mas um dia descobre que os corvos são criaturas malvistas pelos poetas, por serem sinal de mau agouro e infortúnios. Transtornado, ele brada; "Never more!!!". Nunca mais ele fará poesia. E parte sem rumo. É assim que a ave vai parar em algum lugar do sertão brasileiro e se depara com o mestre Urubu, um poeta popular, repentista, que tem muito a ensinar ao Corvo sobre as artimanhas do sertão.
Mas um dia descobre que os corvos são criaturas malvistas pelos poetas, por serem sinal de mau agouro e infortúnios. Transtornado, ele brada; "Never more!!!". Nunca mais ele fará poesia. E parte sem rumo. É assim que a ave vai parar em algum lugar do sertão brasileiro e se depara com o mestre Urubu, um poeta popular, repentista, que tem muito a ensinar ao Corvo sobre as artimanhas do sertão.
Meu novo livro, a sair em breve pela Confraria do Vento. Uma narrativa em poemas a modo de epopeia. Ou seria saga?
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