domingo, 12 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
10 pedidos desaforados do amor
1. Um unicórnio... você pega um pra mim?
2. To com vontade de ganhar o sol de presente. Me dá? cuidado pra não se queimar, tá!
3. A nuvem lá. Queria meu colchão forrado com ela.
4. Será que você é capaz de ensacar o ar puro da manhã do campo para eu poder respirar?
5. Queria que você fizesse chover quando tivesse calor, e fizesse calor quando tivesse chovendo.
6. Se você não se importar, dá pra pegar a lua e fazer um colar? Vai ficar tão bonito...
7. E será que um dia vou ter uma carruagem puxada por cavalos-marinhos?
8. Ando pensando que meu mundo só será legal se eu puder viajar na cauda de um cometa.
9. Sabe, acho que queria mesmo era uma cachoeira que, em vez de descer, subisse.
10. Queria um peixe-voador e um pássaro-submarino. É isso.
Se você fizer isso eu não tenho mais nada a pedir. Te amo, tá?!
2. To com vontade de ganhar o sol de presente. Me dá? cuidado pra não se queimar, tá!
3. A nuvem lá. Queria meu colchão forrado com ela.
4. Será que você é capaz de ensacar o ar puro da manhã do campo para eu poder respirar?
5. Queria que você fizesse chover quando tivesse calor, e fizesse calor quando tivesse chovendo.
6. Se você não se importar, dá pra pegar a lua e fazer um colar? Vai ficar tão bonito...
7. E será que um dia vou ter uma carruagem puxada por cavalos-marinhos?
8. Ando pensando que meu mundo só será legal se eu puder viajar na cauda de um cometa.
9. Sabe, acho que queria mesmo era uma cachoeira que, em vez de descer, subisse.
10. Queria um peixe-voador e um pássaro-submarino. É isso.
Se você fizer isso eu não tenho mais nada a pedir. Te amo, tá?!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
FIM DO MUNDO
Será hoje à noite, logo mais às 23h46. A catástrofe. O horror. Um asteróide entrará em contato com a atmosfera terrestre, vindo de leste a oeste. O alvo certo é a África. Apertem os cintos. O planeta corre perigo... Sobreviveremos ao impacto? O fim da civilização?Eu cresci ouvindo isso. Prepare-se para o grande dia. O fim do mundo está próximo. Os sinais estão aí. Visivelmente expostos. 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, 0.... Peçam perdão... pelo que não fizeram, pelo que se tornaram, pelo que não construíram, pelo que deixaram pra trás.
É o fim...
Se não for o bummm do asteróide, será das bolsas de valores. O fim do mundo capitalista. Amém!!!
domingo, 5 de outubro de 2008
A humildade veste marrom

A cor marrom causa em mim lembranças muito alegres da infância. Nos festejos na cidadezinha, em outubro, pessoas vestidas de túnicas marrons, pagavam suas promessas com pedras e pratos de velas acesas na cabeça. Na frente da igreja, nas barraquinhas de palha de babaçu, jogos e comidas alegravam os fiéis... Tudo iluminado. Mas mais iluminado ainda era meu coração naquelas tardes de procissão e festa.
Depois, acho que aos 8 anos, minha mãe e eu fomos a Canindé, uma cidadezinha do sertão do Ceará, que é um centro de romeiros. Quase dois dias de viagem num pau-de-arara cheio de gente. Todos usando batas ou roupas marrons, homenageando o santo de devoção: Francisco de Assis, o pobrezinho de Assis.
Lá no Canindé tinha a sala de milagres, com mechas de cabelo, partes do corpo esculpidas em madeira ou barro e as roupas entregues como pagamento das promessas. Foi ali que me batizei. Nos rostos daquelas pessoas, eu já via o sofrimento amenizado por uma espécie de gozo coletivo. Uma perfeita epifania, manifestação da graça.
Fui arrebatado numa experiência mística. E louvo por isso. Todo ser humano deveria ter um gozo místico para sentir o inatingível. Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas! Amém.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Apenas um vaso

Daquele amor. Só isso restou. Um vaso. Logo a coisa mais frágil. Escapou. Intacto. irônico. O amor é assim. Cheio de sortilégios. O amor é uma tormenta que pega desavisado o barco dos amantes e estraçalha.
Amor gosta é de aventuras. Amor odeia calmaria. É isso. Num dia os olhares se cruzam e tudo é fogo. No outro, tudo é indiferença. E naufrágio. Os gestos, as palavras, os e-mails. Tudo vai pro escambau. Porque não se partilha indiferença. Porque não se banha com água gelada. Porque nem sempre somos alimento perfeito para a fome dos outros.
E apagou-se o fogo.
domingo, 14 de setembro de 2008
Morto rico, moço pobre: e o diabo no meio
Vou contar uma estória que me vem à memória.Foi meu vô quem contou. Assim mesmo falou:
- Muito tempo atrás um humilde rapaz
foi dormir, teve um sonho e acordou bem estranho.
não contou pra ninguém; não podia também.
No seu sonho, um morto aparece disposto
e pergunta ao rapaz se ele era capaz
de enfrentar os seus medos. Revelou seu segredo.
O fantasma era nobre; e o moço, bem pobre.
Um morreu na riqueza; outro, nada na mesa.
A riqueza do morto esperava no horto
o futuro ricaço; era fácil dar o passo.
Só bastava coragem, não perder a viagem
O diabo à solta sairia da moita
pra espantar o fulano e acabar com seus planos.
E o morto, coitado, viu-se já condenado
a morar para sempre num braseiro bem quente.
O rapaz corajoso disse: "saio do poço
dou um jeito no diabo amarrando seu rabo".
O fantasma era nobre; e o moço, bem pobre.
Um morreu na riqueza; outro, nada na mesa.
A riqueza do morto esperava no horto
o futuro ricaço; era fácil dar o passo.
Só bastava coragem, não perder a viagem
O diabo à solta sairia da moita
pra espantar o fulano e acabar com seus planos.
E o morto, coitado, viu-se já condenado
a morar para sempre num braseiro bem quente.
O rapaz corajoso disse: "saio do poço
dou um jeito no diabo amarrando seu rabo".
Meia-noite, no escuro, o rapaz vai seguro
escondido num couro, ele imita um touro.
lambuzado de enxofre, o rapaz dá galope.
Eis que o diabo aparece, e o touro estremece.
- Quem vem lá, diz o diabo. Está desconfiado.
- Sou o touro do inferno, diz o moço, bem terno.
- Nunca vi tal feiura, diz o demo à altura
- Pois não sentes o cheiro? De enxofre estou cheio.
escondido num couro, ele imita um touro.
lambuzado de enxofre, o rapaz dá galope.
Eis que o diabo aparece, e o touro estremece.
- Quem vem lá, diz o diabo. Está desconfiado.
- Sou o touro do inferno, diz o moço, bem terno.
- Nunca vi tal feiura, diz o demo à altura
- Pois não sentes o cheiro? De enxofre estou cheio.
- Sinto o cheiro, é verdade. Mas não é novidade.
Sim, eu nunca me engano, para mim és estranho.
- Pois o dono do inferno sou eu mesmo meu velho
O rabudo sou eu, tudo aquilo é meu.
O diabo berrou, deu pinote, pulou.
Nunca ouviu um insulto mais medonho e absurdo.
- Então como é que é? Será que sou mané?
- Sim senhor, sempre soube, que você era pobre.
Nunca teve um quinto dos infernos, não minto.
Você é um demônio bem esperto e risonho
É melhor ser assim, trabalhando pra mim.
- Eu nao tenho um dono, sai pra lá, seu insano.
- Hehehe, olha o rabo, ele é o teu ponto fraco.
- Tenho o rabo maior, e o meu cheiro é pior.
- Então vamos medir nossos rabos aqui.
O rapaz tinha um trunfo. Era o seu triunfo
Um cruz no seu rabo, amarrou-a no diabo.
O sopapo foi grande. Um gemido gigante
O diabo bufou, tudo desmoronou.
E o rapaz viu o ouro reluzindo no horto.
A botija surgiu e o morto sorriu.
Morto enfim descansou, jovem rico ficou
E o diabo enganado teve raiva do rabo.
Sim, eu nunca me engano, para mim és estranho.
- Pois o dono do inferno sou eu mesmo meu velho
O rabudo sou eu, tudo aquilo é meu.
O diabo berrou, deu pinote, pulou.
Nunca ouviu um insulto mais medonho e absurdo.
- Então como é que é? Será que sou mané?
- Sim senhor, sempre soube, que você era pobre.
Nunca teve um quinto dos infernos, não minto.
Você é um demônio bem esperto e risonho
É melhor ser assim, trabalhando pra mim.
- Eu nao tenho um dono, sai pra lá, seu insano.
- Hehehe, olha o rabo, ele é o teu ponto fraco.
- Tenho o rabo maior, e o meu cheiro é pior.
- Então vamos medir nossos rabos aqui.
O rapaz tinha um trunfo. Era o seu triunfo
Um cruz no seu rabo, amarrou-a no diabo.
O sopapo foi grande. Um gemido gigante
O diabo bufou, tudo desmoronou.
E o rapaz viu o ouro reluzindo no horto.
A botija surgiu e o morto sorriu.
Morto enfim descansou, jovem rico ficou
E o diabo enganado teve raiva do rabo.
sábado, 13 de setembro de 2008
De Banzo
É assim: você acorda, liga o computador, vê as notícias, dá conta das fofocas, checa os e-mails, vai pra rua, olha os prédios, as pessoas, o cachorro, dribla o cocô, compra jornal na banca e procura não sei o quê. Depois, volta pra casa com a sensação de que perdeu algo que não sabe definir. Na verdade você só está perdido de si.Isso é banzo. E para estar de banzo têm muitos motivos. O meu banzo é ancestral, saudade da minha terra. Você pode dizer: "Ué, então compra passagem e voa pra lá. Vai matar a saudade, antes que ela te mate..." E eu digo que não vai adiantar porque a saudade é de uma terra que não existe mais nem no tempo nem no espaço, de pessoas que hoje não são as mesmas de antes, de momentos que são uma neverland da memória. Quem é estrangeiro sabe do que eu to falando.
Sinto-me oco, só isso. Eu posso ficar assim, não posso?! Então me deixa quieto no meu canto!
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
O patinho que não era mais feio
História 3. Beleza é pra ser medidaAntes dos desfiles, as patinhas magrelas tinham de passar antes pela balança. Não podiam estar pesando nem um miligrama além do permitido. As patinhas modelos ficavam em polvorosa, aflitas... e uma semana antes não bebiam nem água, com medo de engordar. Bico fechado.
O ex-patinho-feio, agora o mais belo de todos os belos, achou por bem estender aquele decreto a todos os súditos. Ou seja: uma vez por mês seria o Dia da Balança. Nesse dia, todos os patos deveriam pesar-se diante do rei bonito. Caso alguém passasse do peso ideal, teria seu milho confiscado. Os patos mais esbeltos do reino assumiram o ofício de ser personal trainers dos demais. Mais um decreto do ganso rei bonito: abrir academias para fazer com que os patos perdessem calorias:
Um, dois, não tem mais arroz
três, quatro, beleza pro pato.
Cinco, seis, suor pra vocês
sete, oito, cadê o biscoito?
Nove, dez, pulando outra vez.
três, quatro, beleza pro pato.
Cinco, seis, suor pra vocês
sete, oito, cadê o biscoito?
Nove, dez, pulando outra vez.
domingo, 31 de agosto de 2008
O patinho que não era mais feio
História 2. Beleza é pra ser buscada.
O ex-patinho-feio, agora ganso real, resolveu ensinar aos súditos como ter sua beleza.
Instituiu uma lei que racionava o milho no reino. Comer demais para quê? Para ficar gordo? Para despencar as banhas? Para ficar mais desengonçado? Não, não, não. Pato que deseja ser belo tem mesmo é que fechar o bico.
Instituiu também um campeonato para escolher as patinhas mais bonitas do reino. Elas deveriam se inscrever em concurso e desfilar muito bem.
E de repente, os patos súditos andavam parecendo zumbis, olhos esbugalhados, aparência doentia, alguns até perderam as penas. As patinhas adolescentes, coitadas, eram as que mais sofriam, porque idolatravam seu rei e queriam muito participar do campeonato de beleza patal (ou seria patológica?!). O rei chegou ao ponto de decretar o Dia Internacional da Magreza.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
O patinho que não era mais feio
História 1: beleza é pra ser notada
Logo depois que a história acaba, o patinho que não é mais feio começa a sentir um troço esquisito. Uma sensação de que ele tinha que ser visto por aquele bando que o expulsou. Esboçou um risinho meio cínico de canto de bico, sabe? Passou a vida toda se escondendo; era hora de dar o troco.
Voltou para seu antigo bando, na beira do rio, próximo ao castelo. Apresentou-se como o patinho feio. Só sua pata-mãe-que-não-era-mãe o reconheceu. Coisa de mãe. O bando ficou biquiaberto diante de tanta beleza. Mas também estavam envergonhados por terem sido tão preconceituosos tempos atrás. Como forma de se redimir do mal que tinham feito, todos concordaram que o mais alto posto daquele reino seria do Cisne.
Agora ele era rei. A primeira coisa que resolveu foi que um reino não poderia viver sem espelhos. Espelhos pequenos, grandes, espelhos nas paredes, no teto, paredes de espelho. Mandou que reproduzissem fotografias de sua real beleza para ser entregue a cada pato do reino. Ao acordarem, todo pato devia olhar para o espelho e admirar-se um pouquinho. Mas depois, devia mirar a fotografia do ex-patinho-feio e comparar as belezas. Isso era ordem e pronto.
Os súditos olhavam-se e, de tanto admirarem a foto do ganso real, começaram a entrar num estado de depressão. Beleza comparada dá nisso. Os patos já nem ligavam em fazer patinhos, as patas nem chocavam mais seus ovos. Todos desejavam ter a beleza do ganso, que estufava cada vez mais o peito.
domingo, 24 de agosto de 2008
O patinho que não era mais feio
Fábula nada fabulosa sobre beleza patológicaEntrou pela perna do pato,
saiu pela perna do pinto.
Senhor-rei mandou dizer
Que você conte mais cinco.
saiu pela perna do pinto.
Senhor-rei mandou dizer
Que você conte mais cinco.
É assim que as estórias de causos terminam nas rodas, diante de um fogo, no terreiro da fazenda. O contador passa a vez para outro contador e uma nova estória começa. Assim, todo mundo, num círculo, não pode deixar a conversa acabar. Tem que fazer girar a prosa.
Pois vou fazer um pouco diferente. Minha estória começa pelo fim de uma outra bem conhecida. Ela termina justamente como a maioria: “Quando todos foram felizes”. Ora, ora... felicidade não se derrama facilmente assim, como fonte do ribeirão. Felicidade é leite que transborda da panela quando menos a cozinheira espera. É lua bem transparente brincando na barra do dia. É folha que vento arranca e sai levando, sem rumo certo. É chuva que pega a gente desprevenido. É fruta madura caindo do pé sem aviso.
Lembra daquela estorinha do patinho feio? O patinho desengonçado que foi expulso do bando e teve que perambular por terras distantes? O patinho que ficou amargando e chorando o fato de ter sido excluído do bando e nem notou que tinha crescido? Tudo isso por causa da feiúra, vê se pode!
Na verdade, tudo foi uma grande confusão. Só para refrescar sua cabecinha, o patinho nunca foi pato. Era um ovo de ganso que, não sei por que motivo, acabou sendo chocado por uma senhora pata que não sabia matemática e era um pouco cega, pois nem notou a diferença no tamanho do ovo...Vou contar mais cinco estorinhas desse pato-ganso-cisne-sei-lá-o-quê. Foi minha mãe quem me contou. Sim, porque minha mãe não queria que seus filhos crescessem pensando que a vida real é como essas estorinhas onde a última página do livro é sempre fim, e o fim é sempre feliz. Ela me ensinou a pensar no depois. Afinal, final de livro não é final de estória. É só um ponto. Depois do ponto, tudo pode acontecer. No recomeço.
Pois então... Ele não era mais aquele patinho feio, cinzento e desajeitado. Era um belo cisne! E os gansos do lago, admirados com sua beleza, vinham render-lhe homenagens.
A estória diz que ele ficou feliz por não ser mais feio e não estava nem um pouco orgulhoso por ser belo. He-he-he. Quá-quá-quá. Orgulho vem com o tempo, o tempo é quem dita a regra neste mundo, e essas regras valem para gente, planta e bicho.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Desejos
1 - uma casa no campo, rodeada de verde.2 - um riacho no quintal da casa, com uma cachoeira. 3 - uma sala de livros.
4 - uma sala de trabalho com brinquedos espalhados por todo lado.
5 - uma varanda com rede de tucum.
6 - céu de estrelas.
7 - matas fechadas.
8 - pássaros soltos no jardim.
9 - vontade de contar estórias.
10 - paz, sossego.
domingo, 10 de agosto de 2008
Tresmundos. Resmundos. Raimundos.
sábado, 9 de agosto de 2008
Quando a música traz o céu para os homens
Sempre cantei. Na minha infância, a rede era a minha nave espacial. Deitava-me e com o pé na perede de barro (casa de taipa) eu impulsionava meu vôo. 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1, vrummmmmmmmmmmmmm.
E a canção me levava para as nuvens. Cantar era tão natural... Tão fácil e tão divino. Depois, as 8 anos, comecei a cantar na igreja. Um coralzinho simples, desses de interior que não tem maestro, não tem estudo de música, não tem muitos instrumentos. Só tem a música e o prazer. Pois minha voz se destacava ali. Diziam as pessoas. Era o solista. E acho que ia para a igreja só pela música. Ela me ensinou a percorrer outras estâncias. Me permitia sonhar com um mundo possível. Ela me levava até Deus. Não o deus da minha religião, mas o Deus de todos, até dos que não crêem.
E a canção me levava para as nuvens. Cantar era tão natural... Tão fácil e tão divino. Depois, as 8 anos, comecei a cantar na igreja. Um coralzinho simples, desses de interior que não tem maestro, não tem estudo de música, não tem muitos instrumentos. Só tem a música e o prazer. Pois minha voz se destacava ali. Diziam as pessoas. Era o solista. E acho que ia para a igreja só pela música. Ela me ensinou a percorrer outras estâncias. Me permitia sonhar com um mundo possível. Ela me levava até Deus. Não o deus da minha religião, mas o Deus de todos, até dos que não crêem.
Para você perceber do que a música na voz de uma criança é capaz, veja o vídeo abaixo. Três meninos ingleses encatam o mundo com sua voz. O trio The Choirboys. Nessa hora a gente pensa: "Por que as crianças precisam crescer?".
Jangadeiro, cadê teu mar?
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Olho de Ifá
Lá longe, do outro lado do oceano, existe uma terra povoada por muitos deuses e homens. A África. No norte há o deserto. Dunas e mais dunas de areia moldadas pelo vento. No centro, uma floresta cheia de rios, lagos e muitos animais. Mas a ganância fez muitos desses homens escravos. Nos porões dos navios, eles partiam para cá, deixando pra traz sonhos, alegrias e amores. Vendo o sofrimento dos homens, os deuses decidiram acompanhá-los para a nova terra. Um desses deuses chama-se Ifá, o senhor do destino. O vento de Ifá soprava sobre os filhos escravizados para amenizar o sofrimento.segunda-feira, 4 de agosto de 2008
O menino folharal
(Desenho feito num papel de mesa na Taverna do Largo do Machado.)Esse menino é o guardião da floresta. Na noite, ele vaga iluminando tudo com esse lume. Se algum caçador está por perto, o menino pode camuflar-se em árvore, pois ele já tem pés e cabelos que mais parecem raízes e galhos. Ele tem coração de ouro. E é por isso que muitos homens fingem ser caçadores de animais para tentar capturar o menino folharal. Podem até tentar, mas nunca vão conseguir descobrir seu paradeiro.
domingo, 3 de agosto de 2008
Desejos estranhos
Sabe aquela vontade de alcançar o inalcançávele atingir o inatingível?
Pois é, ando com estranhas vontades.
Vou citar as dez mais urgentes:
1. pegar estrelas com a mão, 2. montar no rabo de um cometa e sair galopando no infinito, 3. forrar meu colchão com nuvens, 4. cobrir meu telhado com nebulosas, 5. fazer um colar de planetas, 6. me banhar na chuva de meteoros, 7. colocar no dedo um anel de saturno, 8. pular num buraco negro e sair do outro lado do nada, 9. fazer doce de leite com a via-láctea, 10. jogar bola com a lua e adormecer sonhando com todos estes disparates.
sábado, 2 de agosto de 2008
Concha
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