quinta-feira, 25 de novembro de 2010

dando um tempo

- Preciso de um tempo...
- Por quê?
- Sinto que você me consome...
- Como assim? Você não gosta mais de mim?
- Não, quer dizer, muito pelo contrário: estou cada vez mais apegado a você.
- Então não te entendo...
- É que...você me sufoca, e amor só pode ser amor quando não há amarras.
- Mas você sempre teve liberdade na nossa relação. É sempre você quem decide se quer me ver. Nunca sou eu quem te procura.
- Sei disso. Mas você tem um poder, um feitiço, uma atração irresistível. Esse é teu veneno.
- Mas nunca te privei de liberdade. Isso você não pode afirmar!
- O problema é que você é como uma droga poderosa. Você consegue em doses homeopáticas prender qualquer um. E ainda consegue sair ilesa de tudo, como se fosse a vítima.
- Mas na nossa relação eu sou sempre aquela que te espera, que te instrui, que te abre para o mundo, que te mostra inúmeras possibilidades.
- Por isso mesmo preciso dar um tempo. Você me consome, me incendeia, me cega de tanta abertura. É paradoxo dizer isso, mas sua liberdade me aprisiona, como um inseto noturno rodeando lâmpada acesa.
- Preciso mesmo ficar longe de você, para me desapegar dessa falsa ilusão e liberdade que você me proporciona. Desculpe, é só por um tempo.
- O tempo não me atinge, meu caro, estou imune a ele. Mas... como te disse, a decisão é sempre sua.
- Adeus.
O rapaz desligou a internet. Não sabia se conseguiria viver longe da web, mas precisava respirar coisas concretas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

José e Pilar

De repente os ateus nos dizem mais de Deus que os profundamente devotos. Falam da única e irremediável certeza: a morte. Não ficam se vangloariando com um céu incerto, com uma eternidade improvável, com uma desejável ressurreição do corpo ou da alma. Os ateus são suficientemente certos das limitações humanas. E, por isso, vivem sua humanidade procurando contribuir para despertar os homens de sua cegueira ou, pelo menos, fazê-los mais questionadores.

Saí da sessão do filme José e Pilar agradecendo a Deus pelo Saramago. E engrandecendo a Pilar, por sua bravura, sua dedicação a esse homem, até a morte dele e para além da morte, na fundação que o ajudou a fundar. O filme-documentário mostra a vida exilada na ilha espanhola de Lanzarote e as intensas viagens ao redor do mundo, para conferências, homenagens, lançamentos. Sobretudo o filme é sobre o amor tão incerto por ser tardio e tão certo por ser amor desprendido. Me perguntei: "Se Saramago tivesse recusado tanto convite e tanta viagem, a clausura teria contribuído para mais livros?". E o que queria Pilar  ao abandonar sua carreira jornalística para devotar-se religiosamente a um homem trinta anos mais velho? A agonia do velho homem à beira da morte e preocupado com mais um romance (A viagem do elefante, na verdade seu penúltimo) nos faz mergulhar nesse estado agônico, preocupados também nós com o fim antes do fim.

Saramago ensina aquilo que é o fundamento de toda religião: o amor, único sentimento capaz de redimir, de vencer a morte, como diz mesmo o autor na dedicatória do livro A viagem do elefante: "A Pilar, que não deixou que eu morresse". Descanso eterno às cinzas deste grande autor, embaixo de uma pedra, do jardim, de uma casa, numa ilha da Espanha.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Um monge

Houve um tempo em que pensava em exercer o sacerdócio. Dentro de mim ardia um lume. Até andei achando que ouvia a voz de Deus me dizendo: "Vai, eu te envio! Vai ser meu profeta!". E aquilo queimava, me inquietava. Era uma chama que me consumia, que latejava e me enchia de um prazer que não posso comparar a nenhum outro prazer que já senti. Mas suspeitava que o povo não desejasse profetas, guias, pastores... Tudo o que uma ovelha desgarrada quer é estar livre do cajado do pastor. Eu mesmo não queria saber de nenhum profeta me dizendo coisas que, por serem verdadeiras, eu nunca queria ouvir.

O tempo passou. O sacerdote que eu seria um dia morreu antes de nascer. Morreu para mais nunca. Pensando bem, se um dia me for permitido abandonar tudo por uma causa religiosa, que seja para ser um monge solitário, cujo monastério se equilibra no cimo de uma rocha também solitária. Ali pregaria ao vento, falaria aos passarinhos, converteria os pingos da chuva, entoaria melodias ao sol e à lua e vociferaria contra os raios e os trovões. Isolado, longe da humanidade, buscaria a salvadora lucidez e gastaria meus dias num exercício cuja única finalidade seria o abandono de mim.

Os homens não precisam de profetas. Os homens não ouvem outra voz que não seja a sua própria. Eu, monge, no meu monastério, rezaria: "Ó, Deus, que os homens aprendamos a silenciar. Que aprendamos que menos é mais. Ensina-nos a linguagem do silêncio profundo! " E agradeceria por ter tido a oportunidade de ser monge, e viver no cume da rocha, longe dos homens e de suas tão desgastadas vontades. Amém!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Não é...

Deixa só te dizer uma coisa: não confunda alhos com bugalhos, nem caramelada com cara melada. O que escrevo aqui não é minha vida. Não é biografia, ainda que pareça. Não é o que sinto, ainda que eu sinta. Não é o que eu penso, ainda que eu pense.
Não é! Pronto! Acabou.
Favor não confundir exercícios de ficção com a matéria do real. Se escrevo sobre tristeza, a última coisa que eu quero é que você pense que estou numa fossa. Se escrevo sobre alegria, não desejo que o leitor me imagine inebriado de felicidade. É tudo falso, po! É tudo fingimento. Isso aqui é um laboratório de fingimento.
Não confunda, pois, ficção com fricção. É um tudo-nada, entende? É um nada-tudo que me tranquiliza diante banalidade do real e me projeta para outra dimensão, talvez, um entrelugar. Só isso. Mas não sou eu, não é o que vivi, não é o que vi. É outra coisa. E pode não ser literatura, mas certamente não é real.
Passar bem.
(crédito de imagem: M.C. Escher)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

desejos

Hoje acordei com um desejo novo. Um desejo insólito. Um desejo que não sei se tem cacife para ser realizável. Era um desejo de grávida. Um entojo. Um engulho me assomando. Uma cólica no inconsciente me atiçando o juízo.
Desejo só é bom quando tem um quê de realização. Mesmo que leve anos ou décadas para ser concretizado. O meu desejo, porém, é inimigo do tempo. Quanto mais o tempo passa, mais ele ganha dimensões de nada. Razão inversamente proporcional. Mas é que o tempo nunca anda para trás. E meu desejo tem olhos no que já foi, não tem cara de futuro, tem olhos atrás da cabeça. 
Acordei com sede. A boca seca. Fui até a geladeira, peguei a jarra, bebi toda a água. E a sede não cessou.  Fiquei confuso e intrigado. Então eu não sabia mais nem traduzir minhas ausências?!
Foi então que me olhei no espelho. E a sede se mostrou em toda sua plenitude. Era a sede da juventude. Onde eu perdera a fonte?

(crédito da imagem: A persistência da memória, Dali)

sábado, 6 de novembro de 2010

sobre inspiração

Hoje estou sem um pingo de inspiração. Eu inspiro, inspiro, inspiro... e na expiração só sai vento.

Nenhuma palavra digna de eternidade, nenhum verso digno de nota, nenhuma ideia aprovável. Parece que estou anestesiado, flutuando num vácuo, cheio de um incômodo vazio. Bem feito: quem me mandou confiar em inspiração? Quem me mandou crer que poesia é filha dos céus? Quem me mandou acreditar que escrever é coisa transcendental?

Pronto. Que este post represente a poesia que não veio, a poesia que nunca virá,  a poesia do pretérito imperfeito. O pretérito inexistente. Que essa poesia lave a alma dos sedentos da verdadeira poesia. Que ela fecunde o solo do homem faminto. Que ela diga tudo sobre silêncios no seu silêncio infinito. Que ela, enfim, convide o homem a ser ausência, pois agora que tudo é barulho, e queremos nos mostrar, e queremos ser vistos, e queremos aparecer... agora é hora dos imostráveis.

Por favor, me deixa nutrir em paz minha despoesia !

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

CONFIANÇA

Fui dormir pensando na sujeirada que tomou conta deste país.
Acordei de alma lavada.
Não sei mais se quero ir para o céu.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Carta ao presidente, no dia do seu aniversário

Senhor presidente,

Nasci no interior do Maranhão, na década de 70, e acompanhei, ainda criança, os conflitos entre posseiros e pistoleiros do latifúndio. Acompanhei também romarias e mutirões à zona rural com a finalidade de gritar contra os assassinatos de lavradores. Muita gente foi morta pela grilagem na década de 80. Naquela época, os lavradores, o pessoal da igreja católica que pregava a teologia da libertação... já falavam de um país governado por você. Cresci associando seu nome à justiça. Com 10 anos, obviamente, eu não sabia sua história, mas sabia quem era o senhor e o que havia feito pelos trabalhadores, o que havia sofrido nos porões da ditadura.

Vieram as eleições 89. Lembro da alegria das pessoas humildes ao falarem do senhor, de sua força, de seu otimismo. Lembro que as notícias mentirosas da imprensa deixavam a gente irritada, num desassossego. O único meio que tínhamos era o rádio e a TV, que prestavam um serviço vil. Sabíamos dos descalabros por fontes orais. Lembro que quando estava na 8 série, recebemos um livro de história que, na parte da República, estampava sua foto. Que orgulho ver o senhor num livro de História. Que orgulho ler sua história num livro de História. Passaram-se muitos anos. O senhor foi eleito presidente. Eu já não morava mais no Maranhão. Como tantos, como o senhor, tinha migrado ao sudeste, em busca de avanços. Acompanhei a mudança que o seu governo proporcionou ao país. Quando viajava pelo nordeste, via as pessoas trocando os jegues por bicicletas, e essas por motos, enquanto alguns trocavam motos por carros. Vi o pobre plantando sua horta na certeza de que os frutos dela trariam qualidade de vida. Vi as donas de casa comprando alimento com o dinheiro do bolsa família. Vi as pessoas alegres porque tinham o que comer. Eu mesmo me beneficiei dos avanços, porque fiz mestrado e doutorado com auxílio de bolsas (capes e cnpq) e hoje procuro um pós-doutorado (talvez fora do país).

Presidente, o senhor é o líder que este país precisava para diminuir o fosso entre ricos e pobres, letrados e iletrados, norte-sul, famintos e saciados... O senhor mostrou a este país que todos devem ter de fato as mesmas oportunidades e só isso fará o país ser visto com outros olhos. O senhor, um torneiro mecânico, se tornou o homem mais respeitado nesses 500 anos de Brasil. E falem o que falar, ninguém vai apagar da História sua grande contribuição. Podem tentar diminui-lo, podem dizer que o senhor foi populista (como pode ser populista um homem cuja raiz é o povo?!). O senhor fala brasileiro. O senhor não fala a falsa gramática da minoria. O senhor fala a gramática do olhar, dos gestos, das emoções. O senhor olha no olho e diz. E aqui lembro, emocionado, do seu discurso aos empresários na semana passada. Não é possível que digam que o senhor é analfabeto depois de um discurso desses! (a meu ver, o seu texto improvisado tornou-se já um dos discursos históricos). Não vão tirar do senhor seu curso superior feito fora da academia, na vida. O senhor teve professores que qualquer um gostaria de ter. O senhor merece receber vários doutor honoris causa. O senhor merece receber um nobel da paz.
 
Agradeço a Deus por sua existência. Agradeço a Deus por ter permitido que o senhor viesse ao mundo brasileiro, nordestino, pobre. Agradeço-lhe por representar os milhões de brasileiros que não podiam ter representação.
 
Grande presidente! Vamos ao nobel!
 
Cláudio Rodrigues, Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2010.
 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Tempo de Dilma (Cordel)

Amigos, diante de uma campanha tão sórdida, é preciso estar atento e forte nessa última semana. É necessário mostrar nossa voz, como tanta gente boa fez nos últimos dias. A militância é quem dará a vitória a Dilma. Como amante do cordel, e pensando na minha terra, o Nordeste, quis dar minha pequena contribuição na forma de um cordel. Este gênero poético serviu como jornal no interior do país, quando a mídia ainda não tinha chegado por lá. Aos cordelistas, meu abraço!

1. Meu amigo, minha amiga
Preste muita atenção!
Dia 31 de outubro
novamente diga não
ao governo imperialista.
Não perca isso de vista.
Escute a voz da razão.

2. Este cordel é um apelo.
você tem um compromisso:
decidir se quer o atraso
ou se deseja serviço.
Esse país valoroso
é um gigante valioso.
É preciso saber disso.

3. As riquezas do Brasil
os gringos sempre quiseram
Um plano pra dividir
a Amazônia fizeram.
As nossas grandes empresas
entregaram de bandeja.
Que desgosto já nos deram!

4. Saiba que o que está em jogo
na campanha atual
é o poder da Petrobrás:
a riqueza do pré-sal.
Você quer seus benefícios
ou quer ver o desperdício
com a venda da estatal?!

5. Agora, preste atenção
Temos Dilma e temos Serra
Ela quer erradicar
desse país a miséria.
Isso é um compromisso
Dilma estará a serviço
pois é honesta e séria.

6. O filho do FHC
só sabe causar terror
fingido, falso, matreiro
não é homem de valor.
Nunca concluiu gestão;
nem calado tem razão
Esse cara é ditador!

7. Analise, eleitor,
o terror dessa campanha.
As mentiras, a calúnia,
a baixaria tamanha.
Isso é coisa de bandido.
Não queria dizer isso:
tive medo e vergonha.

8. Nós temos dois candidatos.
Já analisou os planos?
Quem pensa mais no país?
Você acha que os tucanos
vão continuar os projetos,
aquilo que está dando certo?
Abre o olho, ó fulano!

9. De um lado temos Dilma
corajosa e decidida
trabalhou junto com o Lula,
administrar é sua lida.
Não é frágil, tem história.
Da ditadura a memória
está na pele, na vida.

10. Não baixou sua cabeça
pra marra dos ditadores.
Bradou com os estudantes,
militou contra os horrores.
Não se rendeu aos caprichos
de um governo postiço.
Encarou os impostores.

11. O povo não é mais bobo.
Percebeu o desespero
do Serra e de seus comparsas
pra enganar brasileiro,
tramando contra a verdade,
agindo na falsidade
o bando de desordeiros.

12. O Serra faz jogo sujo
na TV o cara é santo.
O cabra é pior que o Demo;
age por baixo dos panos.
Tem a imprensa a seu lado,
que o ajuda no alarmado.
Ato vil e desumano.

13. Difamam o presidente.
Inventam uns factóides
para confundir a gente.
Não há quem não se incomode
com o bando de asneiras.
A mentira é ligeira:
Faz estrago quando explode.

14. A Rede Globo, bandida,
está do lado de quem?
Incrimina os petistas,
do Serra só fala bem.
Jornalismo sem-vergonha
Forja fato sem cerimônia,
mas não engana ninguém!

15. A Folha apodrecida,
jornaleco de quintal,
age descaradamente
e diz que é imparcial.
Elogia o Zé Mentira,
parte com toda a ira.
Diz que a Dilma é do mal.

16. No mesmo rumo estão
a Veja, cega de ira,
o Estadão e o Globo,
a espalhar a mentira.
Agora vejam amigos.
Queiram refletir comigo:
Para que toda essa birra?

17. A primeira boataria
veio com o tema do aborto
Dilma foi incriminada.
Mas logo se soube de um broto
que a mulher do Zé tirou.
A mídia tudo abafou
E a história, caso morto.

18. Um bispo lá em Guarulhos
deixou de rezar sua missa
e se aliou com o Serra
querendo fazer justiça.
Mas acabou irritando
igrejas de todo canto
com sua santa cobiça.

19. Mas foi lá em Canindé
Na festa de São Francisco
que um padre de muita fé
fez diferente do bispo:
expulsou os desordeiros
do templo, arruaceiros,
como teria feito Cristo.

20. A maior profanação
é promover desavença,
semear o terrorismo
em nome da fé, da crença;
é violar o sagrado.
Isso sim é o pecado,
pra Deus a maior ofensa.

21. Mais uma apelação
vimos lá em Campo Grande.
Vocês lembram da bolinha
na careca do farsante?
Fez até tomografia.
E a Globo, que baixaria!
Oh, gente deselegante!

22. Mas o povo não é besta.
Com internet agora
a mentira é desfeita
rapidinho, sem demora.
A verdade é que os blogueiros
São do povo justiceiros:
desmascaram a qualquer hora.

23. Percebendo o jogo sujo
que fizeram neste turno,
os manifestos surgiram;
ninguém quis ficar no muro.
professores e artistas
reitores e até juristas
disseram sim ao futuro.
24. A UNE, ambientalistas,
vieram dar seu apoio
Isso é bonito de ver
o trigo longe do joio.
Uma campanha honesta
é só o que interessa
que o povo nunca foi bobo.

25. Fiquei foi muito orgulhoso
quando vi a militância
indo pras ruas de novo,
bradar contra a arrogância.
Fiquei feliz com os artistas
professores, ativistas,
que espalharam temperança.

26. Leonardo Boff disse:
“Se um dia a esperança
foi maior do que o medo
agora a confiança
na verdade é maior
que a mentira, e melhor
do que falar de vingança.”

27. Outro dia ouvi madame
dizendo um monte de asneiras.
Escutem bem o discurso
da elite brasileira
e percebam porque rico
quer eleger Zé do Pito.
Olha aí só a cegueira.

28. A madame assim dizia:
“Ai que ódio desses pobres!
Agora querem ser gente,
querem viver como nobres.
Compram carro, celular
Fazem casa à beira mar
e desfilam com ipods.”

29. “Atufalham nossos shoppings
pra comprar roupa de grife
não sabe o seu lugar
esse bando de patife?
Deixei de ir ao cinema;
fila de pobre, problema.
Rico não tem mais cacife.”

30. “Vou votar no Serra, sim.
Não aguento ousadia.
Outro dia a cozinheira
Disse cheia de alegria:
‘meu filho foi aprovado
começou o seu mestrado
é a vez da periferia!’”

31. Agora vamos de fato
dar uma comparação.
Em oito anos o Lula
enriqueceu a nação.
Pagou o FMI
e fez o pobre sair
de vez da sua aflição.

32. Marina e Carlos Minc
da Amazônia ajudaram
a reduzir as queimadas;
os grileiros enfrentaram.
Em Copenhague o país
falou, propôs, exigiu.
E os líderes calaram.

33. O governo do operário
que chamavam analfabeto
construiu universidades
14 novas, por certo.
além das ampliações,
do fomento às extensões.
E vi isso bem de perto!

34. O PROUNI, o ENEM
valorizaram o estudante
os cursos tecnológicos
fazem papel importante.
E o governo FHC
é melhor você saber
fez o que de interessante?!

35. Nessa onda acolhedora
vejo nascer no horizonte
o novo sol que nos traz
o futuro radiante.
É hora e vez da mulher.
Dilma, amiga, mãe, com fé
será nossa presidente!

domingo, 24 de outubro de 2010

30 anos do Menino Maluquinho

O google hoje acordou com um logo diferente.
A letra "o" exibe o rosto do menino maluquinho
e o "g" vem com a panela na cabeça.
30 anos do personagem mais querido do Ziraldo.
Salve Ziraldo, ele mesmo o maluquinho do pedaço!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sectarismo, democracia, religião: o que Obama fala sobre isso.

Barack Obama é o cara! Veja o discurso dele sobre religião, democracia, sectarismo, questões de políticas públicas. Uma verdadeira aula contra a intolerância e a arrogancia em nome de uma fé. No momento em que o Brasil passa por uma montanha de dicursos vazios, cheios de ódio e calúnias; no instante em que a igreja é usada e usa a política; no instante em que questões de saúde pública são usadas como armas demoníacas... Nesse momento, é preciso ouvir Obama.

domingo, 17 de outubro de 2010

Marilena Chauí: o que é a mídia brasileira!


Bravíssimo! Essa semana li todos os manifestos (o dos reitores, o do professores de filosofia, dos líderes religiosos, dos professores universitários, dos artistas...). Ver tanta gente intelectual, séria, que me ajudou a ser o que sou, assumindo publicamente postura contra o Serra, me reconforta. Me aponta a direção que sempre foi a que trilhei, sem medo de ser taxado disso ou aquilo. Não estamos falando de partidos, mas de um jogo elitista que sempre freou as liberdades desse país em nome de uma pseudodemocracia. Que mulher corajosa, meu Deus! Fico de joelhos pra ela. Esse vídeo é uma aula de combate à pseudodemocracia. Um verdadeiro convite à reflexão. Isso engrandece o debate. Deveria haver espaço na mídia para esses intelectuais se posicionarem. Um debate entre essas forças. O Brasil precisa disso, para não voltar ao obscurantismo, ao medievalismo dantesco.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

catedral azul


A catedral do Rio, que agora tem uma iluminação especial e pode oferecer uma paleta de mais de mil cores, hoje anoiteceu azul. Homenagem ao manto da padroeira do Brasil.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Gênesis

No princípio era a treva. O Criador vivia sem fazer nada, só jogando seu NINTENDO. Resolveu brincar de fazer as coisas. Disse: “FIAT BRILUX”. E um raio se dissipou, dividindo o mundo em duas partes. O trovão estourou e fez o poente: “CATAFLAM!” Depois de criar todos os animais, o Criador fez o Homem. Fazer o homem não foi fácil e o Criador ficou deveras cansado. Então tomou BIOTÔNICO FONTOURA e tirou uma soneca. Quando acordou, notou que o homem estava excitado porque viu o bode e a cabra fazendo saliência. Deus apiedou-se e disse: “Vou fazer uma XEROX sua, mas com algumas diferenças”. E fez a Mulher. Notou que a cópia saiu muito melhor que o rascunho. Quando Adão viu a Mulher, disse: “UOL! Esta é a FANTA da minha FANTA!” Queria falar algo mais, mas só conseguia dizer: “IG!IG!IG”. Deus foi dormir mais um pouquinho, depois de beber uma COCA-COLA e dar aquele arroto divino. Adão ficou VIVO, quando percebeu que Eva estava in NATURA, mas não teve coragem. Eva foi logo reclamando: “Qualé, Adão, você nem FORD, nem sai de cima!” E foram fazer saliência pelos campos do Senhor. A cobra, que não é assim nenhuma BRASTEMP, ficou rubra de inveja. Vestiu-se de PRADA e foi tentar o Homem. Mas como o Homem não gosta de fêmea vestida, a cobra teve de tentar Eva, oferecendo-lhe uma APPLE. Eva deu a primeira mordida e ofereceu também ao Homem. A cobra disse baixinho: “Que casalzinho mais ATARI! marquei um GOL”. Deus acordou e percebeu a bagaceira. Disse, furioso: “Vocês vão se FERRARI”. Depois de dar um par de tênis ADIDAS para o casal, os baniu para sempre do seu WINDOWS VISTA.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

É pra morrer de rir!

A campanha de Tiririca, sim, "pior que tá num fica!" Sim. "Na realidade, eu num sei o que faz um deputado federal, mas vote em mim, que eu te conto". Tiririca vai lutar pelos idosos porque tem velhinha que ainda dá um caldo... É ou não é pra se acabar... de rir! Vai ter um milhão de votos o palhaço! E espero que ele vá ao Congresso assim mesmo, a caráter.

Rápida

Dito popular para autores novos:
- De não em não a galinha enche o papo.

domingo, 26 de setembro de 2010

Rápida

A senhora, chamando o táxi:
- Moço, o senhor vai pra frente?
E o taxista:
- Sim, minha senhora, vou sempre pra frente!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Poeta maranhense vai receber Doutor Honoris Causa

Notícia fresquinha. Estou participando do 1 encontro do Forum Nacional de Literatura Contemporânea, na UFRJ. Na abertura dos trabalhos, hoje, a diretora da Faculdade de Letras informou que, nos próximos dias (provavelmente dia 15 de outubro), Ferreira Gullar deve receber o título Doutor Honoris Causa, concedido pela UFRJ. Será uma grande festa a esse poeta, pelo tanto que ele representa para a literatura e cultura brasileiras. Espera-se que a cerimônia não fique apenas restrita a mera formalidade, mas que haja o empenho dos alunos, numa recepção calorosa à altura do poeta.
Grande Gullar! Pedra Angular!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Poesia itinerante

Pegava o mesmo onibus, bem cedo, todo dia. O trajeto de cerca de uma hora servia para dormir o que não conseguira na noite mirrada de todos os dias. O ônibus a deixava no mesmo ponto. Daí caminhava pela praia de Copacabana, chegava ao prédio onde trabalhava como doméstica e começava o trabalho. Seriam oito horas de um incansável serviço: varre piso, limpa janela, lava louça, lava roupa, arruma móveis, faz comida... Eita! Vidinha mais sem graça. Vidinha bem inha.  Nem reclama. E reclamar adianta? Reclamar faz dinheiro cair do céu? Reclamar faz milagre? A tardinha fazia o trajeto contrário, chegando em casa por volta de meia-noite. Não vai desabar na cama? E pode?! Era preciso fazer todo o serviço de casa, preparar comida pros filhos, passar a roupa. Mas numa noite dessas em que voltava para casa, começou a ler na divisória do ônibus, aquele espaço onde fica a catraca e que divide o onibus em dois, o seguinte: "Ora (direis) ouvir estrelas/ Certo, perdeste o senso..." Leu tudo. Nada entendeu. Mas gostou imenso. Gostou profundo. Gostou de um jeito novo. Discretamente, arrancou o cartaz e levou consigo. Na outra noite, havia mais um daqueles, com texto diferente: "O mundo não se fez para pensarmos nele/ (Pensar é estar doente dos olhos)/ Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo..." Concordou grande, sem compreender muito bem. Só achou bonito, e coisas bonitas não podem ser não-compreendidas. Também arrancou o cartaz e levou para casa. 
E assim fez todas as noites. E lia aquilo com sefreguidão. Deixava mesmo de dormir para ler tudo, reler, rereler, entreler. E aqueles homens e mulheres, donos daquelas vozes todas, moravam no pensamento dela. E ela trabalhava lendo aqueles textos. Alguns ela sabia de cor, de tanto que os lera. Uma noite, não tinha um novo texto no ônibus. Perguntou ao cobrador: "Cadê o texto daqui?". "Ah, cansamos de colocar poesia, porque sempre roubam!".  Então aquilo era poesia. Era poesia aquilo que a fizera olhar pro mundo diferente. Era poesia aquilo que a fazia viajar por destinos tão diversos, sempre no mesmo ônibus, sempre no mesmo trajeto, e sempre por outras destinações. Era poesia aquele bem que trouxera nova vontade de viver, de abandonar tudo, de ser outra? Estava decidida: iria voltar aos estudos. Queria ler mais poesia. Seria poeta.

(Esse texto é uma homenagem às minhas alunas da Educação de Jovens e Adultos. Os ônibus do Rio estão circulando com poemas colados na divisória. Uma aluna me falou que sua mãe havia arrancado um poema do Bilac e levado para casa. E me deu vontade de escrever esse continho)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Graça...

Qual é a graça da graça?
Conheço uma Graça
que é muito grossa.
A Graça não grassa,
Não faz nada de graça.
Não dá o ar da graça
a Graça.
Não ri nem pela graça
a Graça.
Será desgraça?