segunda-feira, 17 de maio de 2010

A bola

Está difícil postar. Muita coisa acontecendo. Tempo pouco. O blog vai ficando para trás. E agora penso: "Qual o sentido de ter um blog mesmo?" Vale à pena publicar qualquer coisa apenas para mantê-lo? Se bem que ele foi feito com a intenção de rascunho, uma caixa para caber tudo. Fiz o blog para publicar possíveis textos publicáveis, uma espécie de termômetro. Um poema, uma crônica, uma colagem, sei lá mais o quê. O Bregueços é mais velho do que aparenta, existe desde 2004. O que houve é que participei do primeiro concurso de literatura para jovens e adultos, do MEC, em 2006, e concorri com as primeiras crônicas do blog. Então, precisei retirá-lo do ar para que os textos pudessem concorrer. O livro foi chamado de "caixinha de bregueços: croniquinhas para um blog". Num total de 4.000 obras, ficou entre as 70 finalistas, o que me deixou muito orgulhoso. Não foi, porém, eleito para publicação. Mas penso: vale à pena divulgar parte de seus projetos, mesmo sabendo que há gente cheia de má intenção na internet, que vive bisbilhotando a web para roubar textos ou ideias? Ontem encontrei um poema meu, feito quando eu tinha 17 anos, para um concurso de poemas. O poema estava muito modificado, com versos novos, minhas ideias ampliadas e, o que é pior, com outra autoria. Pra que roubar propriedade intelectual? Qual o sentido disso tudo? Não sei, preciso repensar isso aqui. Mas, para meus poucos e fiéis leitores, insisto em deixar um poema de uma coletânea que estou querendo coragem para publicar.

A bola

Cidadezinha em procissão
Quatro homens carregam o andor
que carrega São José
que carrega o Menino
que carrega...
a bela bola azul
...nas mãos dele.
Menino alheio a tudo
encegueirado por ela.

Eu também era menino
e, de cara pra cima,
mirava a bola.
Nunca tivera uma
e ela me parecia
boa para chutar.
E o Menino ali
alheio aos meus desejos.
— Vem cá, Menino,
Vem brincar comigo!
Ele, nada.
Era importante demais
a bola para que
ele a largasse assim.
— Desce dos braços
do teu pai e vem
brincar comigo, Menino!
E ele, nem aí para mim.
Só mais tarde é que me disseram
que aquela bola
era o Mundo.

3 comentários:

Gerana Damulakis disse...

Vale a pena! E obrigada pelo presente, o poema é muito bacana, um final ótimo.

Ana Tapadas disse...

Vale a pena sim!
Olha para mim a ler-te do outro lado do mar!
Obrigada.
Beijinho

Andreia disse...

Infelizmente existem estes que não respeitam as obras alheias, por falta de competência, caráter, brio e criatividade. Mas é claro que vale apena, porque graças a Deus estes seres são a minoria.
beijosss