sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Do que a criatividade é capaz

Simplesmente maravilhoso este vídeo.
As imagens vão saltando das páginas do livro, ganham vida nos recortes em 3D. Sugiro que carreguem todo para assistirem de uma só vez, sem aquelas paradas chatas por conta da velocidade da internet. Mergulhem no mundo maravilhoso da arte.
Produção do New Zealand Book Concil.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Curtíssimas.

Voltei, enfim, e este é meu primeiro post de dezembro. Essas duas semanas foram difíceis. Não li nada dos blogs dos amigos, nem publiquei neca por aqui. Recomeço com uma lista de coisas urgentes, coisas que tenho de dar conta.
1. O filhote dos Sebinho está um belo rapazote. Aparece sempre junto com a mãe, que continua dando comida no bico do ganzelão. Linda família. E eu já fico ligado nos pios dele no matagal que fica em frente. Parece que sou o pai, ouvindo longe os apuros da cria.
2. Minha mãe e irmã estiveram comigo esses dias, vindas do Maranhão para o lançamento do Rei. Minha mãe se interessou mesmo foi pelas matas do Rio. Ela sabe o nome de tudo o que é planta e árvore. É uma mulher de dedo verde mesmo. De quebra saiu carregada de plantas. Pensei até que ela seria presa no aeroporto por contrabando.
3. Passei a semana corrigindo e elaborando provas, somando médias, contando pontos... A escola ainda reduz o homem a números. Fazer o quê.
4. Agradeço os posts de leitores e leitoras querendo saber onde eu me escondi. Gerana, Renata, Ana Tapadas, Juvenal, Cida (aqueles que preferem enviar por e-mail)... Gratíssimo pelo carinho.
5. Soube que o meu "Cirandeira" já está sendo ensaiado por um grupo de jovens do subúrbio carioca para ser encenado no natal. Benza Deus!!!
6. A tese está me consumindo. A montagem da casinha dos livros também. Rolam as dúvidas: será que a comunidade cuidará e dará valor ao sacrifício de mim e de tanta gente voluntária?
7. Sou todo dúvidas. Sou todo frangalhos. Mas a felicidade me domina.
Beijos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Uma bela manhã para o reizinho

Ontem foi uma manhã linda no Rio. Nem estava aquele sol de matar, nem a chuva veio para atrapalhar. Uma brisa soprava nos jardins do Palácio do Catete. A tenda de lançamentos ficou cheia. E minha amiga Norma fez tão bonito, com seu coral "Loas e Luas". Juntos contamos e cantamos a história do Pai Francisco e Mãe Catirina. Depois contei a história do rei Sebastião, o fantasma dono de uma ilha no Brasil. Em seguida, a sessão de autógrafos. Agradeço a todos!
















quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Primavera dos livros - Rio


O lançamento de "O rei que virou lenda" será no domingo, 29, às dez da manhã, na Primavera dos Livros, nos jardins do Palácio do Catete. Um palácio para um rei. Tem coisa mais chique? O evento é realizado em São Paulo e Rio de Janeiro, pela LIBRE, que congrega mais de 90 editoras pequenas e médias. Uma forma de driblar o mercado corrosivo das grandes editoras, cruéis e soberbas. Aqui, são os próprios editores que vendem seus livros, num contato muito positivo com o público. Durante a feira ocorrem palestras, saraus e lançamentos de livros. Esse ano, o tema é a literatura de cordel, pelos 100 anos de Patativa do Assaré, o grande poeta sertanejo. Meu reizinho foi destaque aí na Veja Rio. Para ler o texto, clica sobre a imagem ou então vai na página virtual da VEJA RIO.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Poemas da bicharada

Meu blog é uma espécie de laboratório de escrita. Nele vou experimentando meus textos, o que dá certo ou o que ainda precisa ser bem melhorado. Tudo aqui é rascunho, portanto. O desejo é que no futuro, muita coisa daqui vá para o papel. A partir de hoje, vou postar uma nova série. São poeminhas sobre bichos reais ou inventados. As ilustrações são bem pictóricas,  feitas com carimbos de dedos e de borracha. Coisa pra criança de todas as idades.

O BOI
O meu boi morreu
que será de mim?
Toca o maracá, Saravá!
Que sorte ruim!
Vem, doutor Pinguço,
alisar o couro.
Venham, benzedeiras da feira,
reviver o touro.
Vem, velho pajé,
fazer pajelança.
Quero meu boizinho vivinho,
sacudindo a pança.
Vem a preta velha
Traz o seu unguento
Não quero ficar a chorar,
neste desalento.
Veio todo mundo.
Reza, fé, mandinga.
E meu boi urrou, sim senhor!
ganhou nova língua.
Viva meu boizinho!
Dança boi-bumbá.
Tudo é festa agora. É a hora
do tambor rufar!

domingo, 22 de novembro de 2009

Sobre ninhos vazios



Um dia todos largam seu ninho. Não tem jeito.
E foi assim que hoje voou o último dos arcanjos, o Gabriel. Anteontem tinha desaparecido o seu irmão, Miguel. Eu sabia que isso aconteceria, estava marcado. Ontem, por exemplo, o Gabriel cismou de sair do ninho e ficar voando pela varanda. Voo raso, de quem não está muito confiante nas asas, mas é todo desejo. Improvisei um ninho na caixa de sapatos que ficou por ali. A mãe Sebinho não dava mais comida há dois dias. E só vinha para insistir com os filhos que era tempo de voar, que o ninho não era pra sempre, que a vida é lá fora, que o céu é o limite, que o mundo dos pássaros não é quadrado, etc e tal. Seu canto era mais ou menos assim: Tzi, tzi, tziii/ Tzi, tzi, tziiii/tzi,tzi, tzi...
Os dois foram embora sem olhar para trás. Será que sabiam dos perigos lá fora? Do gato preto que ronda o pátio do prédio a procura de uma ave indefesa? Dos carros que mais parecem mosntros gigantes a soltar veneno no ar? Dos inúmeros prédios, apinhados de gente, e suas gaiolas improvisadas?
Não quero nem pensar nisso, porque eles se foram, não estão mais sob nossas asas. A mamãe e o papai Sebinho voltarão para beber seu néctar? Tudo é incerteza. Mas a vida é assim. Só me resta dizer adeus e desejar felicidades.
Que voem por nós!

sábado, 21 de novembro de 2009

Complete os motes. 5 revelações.

Minha querida amiga Ana Tapadas foi quem me mandou o desafio. Construir um perfil breve a partir dos motes: Eu já.../ Eu nunca.../ Eu sei.../Eu quero.../ Eu sonho... Taí a resposta. Eu só não sei para quem mandar esse desafio. Se algum leitor quiser topar, vai ser legal! Beijos a todos.

- EU JÁ vi onça pintada
vi fantasma, vi corisco.
vi bicho correndo afoito
atrás de outro bicho arisco.

- EU NUNCA fui mamunguento
nunca ri feito palhaço
nunca me borrei nas calças
nunca entrei em um palácio.

- EU SEI que já me empolguei
querendo ser sabichão.
Mas depois vi que sabido
não sabe de nada não.

- EU QUERO andar tranquilo
viajar na maionese
quero fazer peraltices,
que a vida é uma e é breve.

- EU SONHO muito dormindo
sonho também acordado.
Morfeu é meu velho amigo
Me quer sempre do seu lado.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Brevidades

Elas vêm em momentos em que estou abandonado de mim. Isso acontece geralmente quando estou no ônibus, impregnado de cenas à minha volta, ou quando caminho com o objetivo de chegar a lugar algum. Anoto as frases no primeiro papel que encontro. Depois, fico pensando nelas, no que elas lançam ao meu não-entendimento. Resolvi pegar algumas e compartilhar aqui, em forma de vídeo.

Ladainha negra


Pai de todos os povos...
do índio, do branco,
do negro e do amarelo...
ouve o clamor multicor
escuta as preces afônicas
recebe breves gemidos.

Zumbi, rei dos Palmares, grita por nós!
Negro Cosme, da Balaiada, grita por nós!
Negra Anastácia, guerreira, grita por nós!
Ganga Zumba poderoso, grita por nós!
Mãe Menininha do Gantois, grita por nós!

Todos os erês nos céus, gritem por nós!
Todos os voduns na terra, gritem por nós!
Todos os orixás no mar, gritem por nós!
Encantados, caboclos, fidalgos, gritem por nós!

Na noite negra ressoem
os batuques ancestrais.
Cometas crivem o espaço
recebendo nossos ais.

Amém, axé, aleluia!

(minha homenagem ao dia da Consciência Negra.
O mosaico de ilustração é obra Yemanjá, do artista baiano
Liu Gomes, www.liugomes.com.br)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A vida é combate...

Não chores, meu filho.
Não chores que a vida
É luta renhida
Viver é lutar.
A vida é combate
que os fracos abate.
Que os fortes, os bravos,
só pode exaltar!
(Gonçalves Dias)

Com pesar, papai e mamãe Sebinho comunicam o falecimento de Rafael, o terceiro filhote. Ele não suportou o peso da existência, nasceu frágil, sem forças, e nesta manhã já não tinha o hálito da vida.

Mamãe Sebinho não foi chorar a perda do filho. Não! Resignada, porque a vida vale mais, passou o dia alimentando de néctar e de esperanças os outros dois.  Não, ele tinha fragilidade mas não era fraco. Porque nascer em condições adversas, numa metrópole, quando tudo parece ser contrário à vida, nascer aí é ser guerreiro.

Ele não morreu. Foi para um céu onde o voo é eterno. Foi levar nossas preces ao Criador.