bregueços
domingo, 27 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
desretrato
Eu não sou o que você pensa que sou. Eu não sou o que eu penso que sou. Nem sei o que penso de mim mais. Então, não vai adiantar me descrever porque o máximo que vou conseguir é uma imagem tosca, desfocada, borrada a carvão, na pretensão de um autorretrato. E esse "EU" egocêntrico que insiste em me atravessar. Esse pobre "eu" não dá conta de mim, de tão insosso. Esse "eu" tenta se passar por mim por inteiro, me dilacerando a essência que penso haver no esconso, em algum desvão de mim. Uma imagem capturada em lente imprecisa. O que peço, então, é para que você não me tente enquandrar, rotular. Não tente fazer de mim um retrato purificado por sua pretensa lente, porque, talvez, o que consiga, é fabricar um espantalho.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
sobre destino e desembesto
O destino é meio desatinado. Ele vem aos trancos, feito carreta cheia de bois que desce ladeira, sem freios. E sai da frente quem puder, quem tiver ouvido para ouvir e olhos para ver. E sai da frente pro desembesto do mundo, sem rumo, ribanceira abaixo. A manada engaiolada sobre rodas se abala, indefesa, sem noção do perigo. O perigo engaiolado é o senhor do caminho. Desatino, destino. Tino. E o rolo grande ensurdecedor na ladeira do tempo. Carreta de bois, poeira, tudo cego, tudo preso e tudo solto. Salve-se quem puder.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
o outro
E quando eu falo aqui, já não sou eu quem fala. É a voz de outro que fica impressa. Digo isto porque meu exercício diário de ser outros pode ser mal interpretado. Quem sabe essa voz feita de palavras, sem corpo, não é um pouco do muito que eu sou, ou que fui, ou que ainda serei?! Vai saber! Mas o que quero é que não me levem a sério. Riam de mim, entrem no jogo; ou vociferem contra essa voz que me toma. É o outro, não eu, quem lhes fala. É o outro, não eu, quem lhes azucrina e tenta a todo instante dar socos no estômago. É que acordo pra dentro, como beber água, entendem? Acordo pra dentro, para deixar que o outro surja. Ele é bem mais corajoso do que eu. Eu nem consigo ser eu mesmo. Acho que ninguem consegue. Por isso, mil vezes tento me retratar, e mil vezes fracasso. Mas esse fracasso não me torna um ser indigno. É no fracasso, feito Sísifo, que percebo meus limites. O corpo limita-se, enquanto a alma não tem fronteira. A geografia da alma não aniquila meus passos. Ainda bem! mas, por favor, não sou eu quem escreve isto. É o outro.
domingo, 29 de abril de 2012
autorretrato
Sou um pouco mais alto que as asas de um pardal e bem menor que as garras do condor. Sou mais leve que um grama de ventania e bem mais robusto que o arrependimento. Ou seria o peso de mil rinocerontes? Minha cor? Tenho os matizes da montanha envolvida pela névoa espessa. Minha pele tem a suavidade de mil sóis sobre o orvalho e a aspereza da couraça de uma manada de rinocerontes. Eles, de novo... Embora embaçado, meu olhar é caleidoscopicamente muscal. Sinto cheiros inexistentes para narinas humanas. Aliás, não possuo narinas, e sim ventas. Tenho me surpreendido com uma atitude insólita: chorar por cada pelo perdido, por cada caspa e cada célula de pele morta que o vento leva. Os ácaros me odeiam. Outro dia, quase me afoguei numa poça de sonhos. Quando acordei, fui ler o destino na borra escura da água do banho, misturada à espuma branca do sabão. Senti que escorro pelo ralo a cada dia. Nascer é desapegar-se daquele conforto primordial. Minha sina é errar pelo que não é útero. Vivo no tempo das acontecências.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
vou te contar
Vou te contar um segredo. Segredo bom, segredo segredável. É isso. Estás preparado? É porque o que te vou anunciar fica só entre a gente, e o vento, e os pássaros, e essa atmosfera cor de fogo de uma tarde que se vai e doa uma noite morna. Estás preparado para o que te vou contar? Só nós partilharemos dessa mensagem, como se fosse pão saído do forno, quente, prestes a explodir nossas narinas; como se fora a cortina do aprtamento vizinho que teima em mostrar o imostrável, e atordoa nosso horizonte. Estás preparado para ser a ostra da minha peróla? Estás suficientemente preparado para seres a boca fechada da noite, engolidora dos astros constelares? Olha lá, heim! Tu serás o único a aninhar o segredo, e apenas na hora propícia esse ovo romperá e permitirá que todas as potestades ruflem no maravilhoso momento. Eu não sei se te devo contar. Porque o íntimo me rejubila, me liquefaz, me plasma. E, definitivamente, eu não queria ser compreendido. Definitivamente, eu não queria nada definitivo. Estás preparado? Então, lá vai...
domingo, 15 de abril de 2012
asa
Dentro do novo, o ovo
Dentro do povo, o ovo
Dentro da casa, a asa
Dentro da brasa, a asa
Dentro da vida, a ida
Dentro da lida, a ida
Um ovo dá um voo
Daí se faz a ida
com asa.
entretanto...
entretanto, o que quero não tem cor, nem cheiro, nem gosto. o que quero
não tem aparência, nem altura, nem peso. o que quero, mesmo, não tem
forma, nem voz, nem pensamento; não anda, nem voa. ando grávido de uma coisa
que não faz sentido nesse mundo, mas me torna digno de mim. e me torna
imune aos homens. e me deixa plácido. e enche de vontade. descobri que habito nas frestas da espera e no tempo que não chegou.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
a boneca
Estava
comendo uma batata frita num fest food engordiet da vida quando uma
família chegou. Pai, mãe e filho de 7 anos, mais ou menos. Pediram
aquele lanche feliz que vem com um brinquedinho. O menino cismou que
queria a boneca. O pai, disfarçando: "olha o carrinho, filhão. bonito;
você vai dirigir um". O menino, insistente: "quero ela, é tão linda,
mãe!". O menino começou a gritar que queria a boneca, que era linda, que
estava bem vestida, que tinha cebelão... O povo todo de olho na
criança. Não teve, jeito, o menino conseguiu sua boneca e o pai terminou
dizendo: "está treinando pra ser pegador, meu filhão!". Sei, tá bom.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
paixão
Ontem foi dia do beijo de traição mais famoso dos tempos. Ontem foi dia do jantar mais lembrado dos últimos dois mil anos. Ontem foi dia de um gesto simples e profundamente significativo: um deus que se curva e tira a poeira do pé do humano para que este siga adiante. E hoje é um dia insólito. Sempre o achei assim. Porque parecia covardia de minha parte deixar aquele deus humanado carregando, sozinho, o peso da cruz, e sendo flagelado, e morrendo pelos outros. No entanto, o que mais me instigava era pensar que um pai quis que seu filho único passasse por isso: "vai, meu filho, vai para a Terra, sofrer a dor dos homens. Vai, ser traído. Vai, ser achincalhado. vai morrer em meu nome?" Por que o deus maior não veio, ele mesmo, sofrer tudo isso? incômodo demais para mim isso, sempre foi e é. É assim que age um deus apaixonado? Vai ver paixão é sofrimento maior que amor.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
semana nada santa
Para
mim, hoje não é só lava-pés; é também escalda-pés. Meu coelhinho de
páscoa está impresso no papel higiênico e tem até cheirinho. Troquei o
bacalhau pela sardinha, mais em conta, menos sal. Já estou pensando na
minha crucificação, vivendo numa cidade onde preços só disparam. As
calopsitas não param de roer os tacos do piso e de gritar feito loucas. E
nem falam. Tudo está meio desconexo, nem côncavo,
nem convexo, frouxo frouxo, sem costura alguma. Amanhã Cristo vai
morrer pela 2012 vez, e o mundo nada de tomar vergonha na cara. No
sábado de aleluia, o Judas perde a cabeça e as botas. Quem quiser se
livrar do mal, deverá rir um riso diabólico, riso espanta-demo. No
domingo, não sei, mas é difícil haver homem ressurecto.
domingo, 1 de abril de 2012
mês difícil
Gosto muito deste abril que começa tão mentiroso (1), depois se entrega ao teatro da Paixão (6,7, 8), tão dolorido, tão humano e tão divino; em seguida, celebra a traição dos inconfidentes (21) e o descobrimento (22) de algo que nunca esteve coberto, o Brasil, culminando no suicídio de quem não devia ter nascido: Adolf Hitler (30). Esse mês é forte demais, humano demais, barroco demais, meu pai!
verdade X mentira
"A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer". Essa máxima de Quintana cria um paradoxo interessante. A mentira é uma verdade. As mentiras que circulam hoje, no dia internacional da mentira, bem podiam tornar-se realidade: punidos todos os corruptos, cura do câncer, Aids e todas as doenças crônicas, piso salarial do professores será igual ao de um deputado, não há mais fome nem sede no mundo, o clima estará estável nos próximos anos, etc., etc. A mentira deste dia já é um anseio de verdade, uma semente, desejo mais desejoso. Mentira, omissão, ocultação de verdade: dá no mesmo? A mentira está sempre grávida da verdade, prenhe. Ai ai ai. Tão bom falar qualquer coisa só pra encher uma postagem, igual compostagem.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
luzeiros
De repente, comecei a catar estrelas na noite embaçada do Rio. De repente, esse desejo premente de rever o céu constelado de outrora, em outro lugar, quando não havia luzes na terra ofuscando os luzeiros celestes. E me pego, quase sempre, traçando mapas no céu, com as estrelas que furam a luminosidade artifical da cidade. arredias e insistentes. Por iso gosto delas. Meu traçado é auxiliado por um programa que tenho no meu tablete. Eu o aponto para o céu, e ele me mostra os astros. E eu viajo, observando planetas, nebulosas, estrelas... No momento, estou fascinado pela constelação de Órion, que parece uma borboleta, com as Três Marias ao centro. Sou doido no meu devaneio?
domingo, 26 de fevereiro de 2012
inconsciente periférico
dei agora para recolher velhos teclados de computadores nos lixos.
foi quase como uma visão que isso começou. andando pelas ruas do centro, de repente, estanquei-me diante de uma dúzia de teclados na calçada. uns pretos, outros brancos. havia um colorido até. antes, eu não reparara direito na poeticidade emanada desse periférico. ele é uma espécie de ponte que nos liga ao mais recôndito da máquina. ele é o tradutor da lingua estranha do computador, que , no fundo, somente computa, processa cálculos, matematicamente vai transformando nossas ideias. o teclado no salva do cálculo. nos introduz, leigos, no interior da máquina. nos salva de nossa ignorância.
pois comecei a juntar teclados velhos.em casa, eu os abro, separo as folhas transparentes e as teclas; separo tudo e guardo em potes, como se guardasse um grande tesouro, uma botija desenterrada. inicialmente queria fazer poemas com isso. até já tracei vários esboços. estou apenas esperando que as teclas mesmas falem por si, me guiando para o poema que elas querem gerar. já experimentei jogá-los sobre as molduras, feito búzios; o resultado me assustou, me deixando no espanto, um assombro que talvez seja o medo de mexer com o indizível. passei a traduzir tudo como recados não sei de quem, vindos não sei de onde.
meu projeto vai se chamar "inconsciente periférico". acho que é isso. ou mesmo "teclário".
tem gente que mora no tempo das delicadezas; eu moro no tempo das esperas.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
quando quiser e não souber falar, quando as palavras se perderem no labiritno do seu ser, quando não houver sequer a graça de esboçar um uivo gutural, ermo de sentido...
aí mesmo é que o teu silêncio será fecundo, como semente que esperou no escuro da terra o momento propício para a explosão do gênesis. aí será a hora de deixar que o silêncio se cumpra soberanamente. é preciso mesmo ter que falar? é necessário encher o mundo de palavras vazias, qual tronco oco de árvore morta? o vento em seu barulho, brisa ou redemunho, diz mais.
por que a vontade de dizer coisas, e bradar desimportâncias? por que essa fremente urgência pela palavra reconfortante, se tudo é fugidio, e as palavras, mascaradas habitantes da mais confusa babel? por que o desejo de dizer o que não interessa a ninguém, nem a ti? por que tantos porquês? palavras, quase sempre, não suportam a linguagem da alma.
o mundo e os homens precisam é do mergulho no cardume de silêncios.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Fantasia pelo caminho
As fantasias ficaram pelo caminho, aos restos.
Penas, lantejoulas, serpentinas, festões... no caminho de volta para casa, a alegria encorajada pela máscara. Tão fácil ser feliz sob plumas e paetês! Mas agora é depois. Depois do carnaval. E o mundo voltou a ser normal. Ou quase, porque normalidade e humanidade têm naturezas que não se mesclam.
O mundo voltou ao riso cotidiano, sem deboche, sem crer que o riso sem motivo salva o mundo. Debochamos de Rico e do Pobre, da Luz e da Treva, de Deus e do Diabo. Debochamos de nossas tolices, e vergonhas, e desfaçatez. Debochamos da Vida e da Morte. Quero ver rir agora, no transcorrer do ano, quando o corpo vai obrigado ao trabalho, e o humano se subordina ao chefe, ao tempo, ao mesmo.
Está decidido. Não quero a alegria que me consome o corpo. Quero a alegria que me consome a alma. Depois da alegria desmedida, quero a "perfeita alegria" pro resto do ano, que não é pouca coisa.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
crônica sobre autor desconhecido
odeio autor desconhecido. odeio mesmo. não aquele
desconhecido porque a mídia não o viu, ou não quer vê-lo. não é esse
desconhecido que é objeto da minha crônica ferina e ferida. odeio o desconhecido
que tenta manter-se desconhecido a qualquer custo. que não se compromete com o
que escreve, seja poesia barata, seja crônica infeliz de autoajuda, seja o
diabo. odeio esse autor que, para ter um texto lido pela grande massa incapaz
de pesquisar origens, usa criminosamente o nome de outro autor famoso. e o
texto ganha dimensões, se agiganta, se desdobra e passa a frequentar, inclusive
escolas, num desserviço ao pensamento reflexivo.
odeio esse imbecil que não se apresenta com autoridade. que promove a deturpação da literatura, ainda que eu não concorde com os termos “alta” e “baixa” literatura. estou falando de valores ou contra-valores disseminados num ingênuo texto anônimo que recebe a patente de autores consagrados. Infelizmente poucos leitores têm a competência para perceber que há alho de muito errado no estilo desses textos, não combinando absolutamente com sua autoria. de repente, vejo uma Clarice Lispector dando conselhos chulos para os amantes, apresentando-se como uma alma caridosa, religiosa até, coisa que nada tem a ver com a grandeza dela. do mesmo modo, vejo Shakespeare falando como ser feliz, como amar e transcender, como ser piegas. ainda vejo um Drummond tão meloso, dando conselhos moralizantes para a felicidade geral da nação neoleitora (danação). vejo Bob Marley falando de vida como se fora um adolescente. vejo, igualmente, um Mário Quintana quase como um pregador das verdades celestes dizendo o que devemos ou não fazer para ganhar a vida eterna. (para continuar lendo, clique no link seguinte)
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Presentes quase impossíveis
- Mãe, se eu te pedir uma coisa, cê me dá?
- Claro, filho, qualquer coisa.
- Qualquer TUDO mesmo?
- Bem...qualquer tudo é coisa demais, filho!
- Então não pode me dar qualquer coisa...
- Posso... qualquer coisa que esteja ao alcance da mãe.
- Tipo assim... cê não pode me dar a lua...
- Posso sim, olha pela janela, a lua tá lá longe, mas agora está dentro dos seus olhos. É sua.
- Só minha?
- Só sua. Estou vendo ela dentro dos seus olhos. Agora voce é meu menino dos olhos de lua.
- Mesmo, mãe!
-Mesmo mesmo. E tem mais, são duas luas dentro de você. Uma para cada olho.
- Uau! E se eu te pedir mais uma coisa, cê me dá?
- Pede, filho!
- Se eu te pedir o mar?
- Dou sim, espera aí que a mãe já volta com ele - vai até a cozinha, pega uma pitada de sal joga num copo de água e volta para o quarto.
- Pronto, prove está água. Se você sentir o gosto do sal é porque o mar cabe dentro de você.
- Senti o sal, mãe. Mas não vi o mar dentro de mim.
- Todo sal é água pronta para ser mar outra vez, filho. Agora pegue essa concha e coloque no ouvido...
- Estou ouvindo as ondas, mãe!
- Então significa que o mar está dentro de você agora.
- Bacana.Sou um menino-mar.
- E agora é hora de dormir. Amanhã te dou o mundo, se você quiser.
-Não quero mais nada, mãe. Só uma coisa.
- O quê?
- Um beijo da melhor mãe do mundo.
A mãe beijou o filho com ternura, beijo quente com sabor de super-mãe, apagou a luz e o menino dormiu.
- Claro, filho, qualquer coisa.
- Qualquer TUDO mesmo?
- Bem...qualquer tudo é coisa demais, filho!
- Então não pode me dar qualquer coisa...
- Posso... qualquer coisa que esteja ao alcance da mãe.
- Tipo assim... cê não pode me dar a lua...
- Posso sim, olha pela janela, a lua tá lá longe, mas agora está dentro dos seus olhos. É sua.
- Só minha?
- Só sua. Estou vendo ela dentro dos seus olhos. Agora voce é meu menino dos olhos de lua.
- Mesmo, mãe!
-Mesmo mesmo. E tem mais, são duas luas dentro de você. Uma para cada olho.
- Uau! E se eu te pedir mais uma coisa, cê me dá?
- Pede, filho!
- Se eu te pedir o mar?
- Dou sim, espera aí que a mãe já volta com ele - vai até a cozinha, pega uma pitada de sal joga num copo de água e volta para o quarto.
- Pronto, prove está água. Se você sentir o gosto do sal é porque o mar cabe dentro de você.
- Senti o sal, mãe. Mas não vi o mar dentro de mim.
- Todo sal é água pronta para ser mar outra vez, filho. Agora pegue essa concha e coloque no ouvido...
- Estou ouvindo as ondas, mãe!
- Então significa que o mar está dentro de você agora.
- Bacana.Sou um menino-mar.
- E agora é hora de dormir. Amanhã te dou o mundo, se você quiser.
-Não quero mais nada, mãe. Só uma coisa.
- O quê?
- Um beijo da melhor mãe do mundo.
A mãe beijou o filho com ternura, beijo quente com sabor de super-mãe, apagou a luz e o menino dormiu.
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