sábado, 26 de fevereiro de 2011

Casulo

Por que não deram grandes
meses que durem um ano?
Quem desperta o sol que dorme
sobre a cama abrasadora?
(Livro das perguntas, Neruda)

É, meu velho blog. Te botei pra compostar, né? Falta do que falar? Falta do tempo? Falta de coragem? Faltas. No plural. Ausências fecundas. A vida não é feita só de textos, mas sobretudo de silêncio. Calo para o mundo, mas aqui dentro tenho cada metro cúbido do meu ser preenchido de sinfonias e barulhos. Vozes minhas de outrora, vozes mais recentes, esboços de vozes... dialogam, gritam, vociferam, cantam, murmuram, cochicham, resmungam...
Aos poucos vou querendo me dar conta das vozes aqui fora. Aos poucos.
Porque ainda permaneço no casulo de mim.

3 comentários:

Renata Luciana disse...

cada palavra sentida,
unidade íntima
amor de estar
aqui tu és.

Cida disse...

Senti falta de seus textos.
Felicidades!

Maria disse...

seus textos são belissimos, sua língua afiadissima, sua sensibilidade afinadissima!