Uma
ventania rugiu na minha janela durante a madrugada e, com mãos cíclicas
quase quebrou a vidraça. Uivos lancinantes ecoavam amedrontando as
árvores. As estrelas sumiram num instante sob um toldo cinzento. Acordei
todo nublado.
Minha
casa anda tomada por seres alados. Há muito tempo é assim. Eles vêm não
sei de onde, entram pela varanda e voam labirinticamente pelos cômodos.
Às vezes, pousam nas frisas da janela e ficam ali, observando o que os
humanos fazemos. Sinto que eles nos olham com uma certa piedade e
admiração. Piedade porque, grandes que somos, nos tornamos pequenos na
ausência de asas. Fiquem aí, camaradinhas, e me emprestem suas asas para
o meu sonho.
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