sábado, 3 de maio de 2008

Poeminhos inhos

O sexo das palavras

O boto e a bota /Não podem fazer botinho/ A boda e o bode/ Jamais vão fazer bodinho./ Cigarro e cigarra/ Não gestam a cigarinha./ O galo e a gala/ Não fazem nenhum pintinho/ O pinto e a pinta/Não são da mesma ninhada. /O sexo e a sexa /Não fazem mesmo mais nada.



Sentidos

Me diga já sem demora /Alguma palavra quente: /Paixão, sangue, raiva, vida /Me vieram de repente. / Agora quero só ver/ Se há palavra gelada./ Dor, inveja, egoísmo/ Não quero dizer mais nada. / Pois diga, faça o favor/ Se há palavra amarela/ Tristeza, mágoa, doença/ Que menina tagarela! / Pense e solte num instante/ muitas palavras nojentas/ Meleca, pus, gosma, cuspe./ Soltei outra coisa, agüenta!

Um comentário:

claudio célio rodrigues disse...

A obra que ilustra meu texto é um recorte-colagem de Matisse. Estou numa fase Matisse.