quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Luzeiros

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As luzes... sempre me encantando. Desde a chama tenra de uma vela até o farol lunar, toda luz é magia diante dos olhos inocentes. "Menino, não brinque com fogo que vai é se queimar, visse?!" Era adulto dizendo direto. Mas eu, pequeno, queria ser mesmo era queimado. Queria porque queria.
Uma brasa ardia lá dentro do meu mundinho. O menino dos cabelos de fogo. Quando as faíscas subiam ao céu, eu ia com elas. Até me apagar não sei aonde. Eu aprendi a gostar de ir a velório... só pra ficar abismado com as chamas das velas. Mal sabia que elas iluminavam aquele que não tinha mais chama... "Sai da beira desse fogo, menino. Parece o diabo, querendo se queimar". Eu era sim, o próprio diabo, ardendo de vontade de me banhar de fogo, feito um condenado.
Se fogo fosse água que a gente bebe e se sente preenchido... Se fogo fosse ar que a gente sorve sem se dar conta... Aprendi a olhar o ocaso só pra sonhar com resquícios de fim de mundo. O mundo desabando no fogo, queimando tudo. Oh, que grande dia! "Mas esse menino, tá com a peste, parece mesmo que quer virar cinza..." Na quarta-de-cinzas, ah como eu adorava receber o sinal-da-cruz na testa feito de cinzas, e ainda ouvir do padre: "Lembra-te que és pó e ao pó voltarás..." Ficava intrigado com aqueles santos do altar trazendo um coração em chamas. Eu queria um coração daqueles de qualquer jeito. Coração de Maria, vermelho com chama amarelada, coração do menino Jesus, tão pequeno e já pegando fogo em meio aos espinhos.
Existe mais bela metáfora para o amor que o fogo? Não, não existe. O fogo é a antítese das antíteses: sagrado e profano dançando no barroco dourado das labaredas. O fogo tudo consome no seu ardor purificador. Pensando bem, fogo não é matéria de inferno coisíssima nenhuma. É divino demais!

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